Inflação dos últimos 12 meses deve continuar acima dos 5% devido aos alimentos
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, em Brasília
A conjuntura atual não indica que o quadro de aceleração do preço dos alimentos irá mudar de forma abrupta em maio, e a tendência é que a inflação acumulada em 12 meses continue acima dos 5%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em abril do ano passado, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,28%, bem abaixo dos 0,55% verificados em abril deste ano.
| Tuca Vieira/Folha Imagem |
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Segundo a coordenadora de preços do IBGE, Eulina dos Santos, mesmo que os alimentos desacelerem, isso dificilmente ocorrerá de forma que influencie a inflação dos 12 meses para baixo.
"A taxa dos últimos 12 meses tende a seguir ritmo crescente. Não há indicação de que os alimentos terão a trajetória de alta interrompida", afirmou Eulina.
Na avaliação da economista, a inflação dos alimentos é influenciada pela alta das commodities no mercado internacional, o que sugere um quadro idêntico ao do ano passado. Ao longo de 2007, os alimentos subiram 10,77%.
A alta acumulada de 4,37% este ano resulta em contribuição individual de 0,95 p.p. (ponto percentual) por parte dos alimentos no total da inflação de 2,08% registrada de janeiro a abril. Também contribuiu para a inflação deste ano o item Educação, que subiu 3,97%, com contribuição de 0,28 p.p. para o índice. Com alta de 0,83% no ano, o item Transportes exerceu influência de 0,17 p.p. sobre o IPCA.
Entre os subitens, as mensalidades escolares subiram 4,52%, o que gerou contribuição individual de 0,22 p.p. As refeições fora de casa aumentaram 4,89%, com influência de 0,19 p.p. sobre a inflação acumulada em 2008. A alta do pão francês já soma 13,99%, com contribuição de 0,15 p.p. Dos 15 subitens que mais exerceram pressão sobre a inflação, oito são produtos alimentícios.
No INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), a alta de 5,90% acumulada nos últimos 12 meses é a maior desde junho de 2005, quando a taxa chegou a 6,28%. O INPC mede a inflação das famílias com rendimento que varia entre um e seis salário mínimos.
Regiões metropolitanas
Entre as 11 regiões pesquisadas, a maior alta foi constatada em Belém (1,31%). Depois da capital paraense, vieram Porto Alegre e Recife (ambas com,91%), Salvador (0,75%) e Rio de Janeiro (0,70%). São Paulo, que tem peso de 33,06% sobre o IPCA, teve inflação de 0,42% em abril. Juntamente com Belo Horizonte, que teve deflação de 0,05%, contribuiu para puxar o índice final para baixo.
"A queda em Belo Horizonte é justificada pela redução autorizada de 17% nas tarifas de energia elétrica. Parte da queda entrou em abril, e o restante vai influenciar o resultado de maio", observou Eulina.
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