Mistura de biodiesel em Portugal gera dúvidas e polêmica
da Agência Lusa
Até 2010, o governo português quer que todos os veículos a diesel, incluindo os leves, circulem com 10% de biodiesel incorporado ao combustível habitual. O país, entretanto, ainda tem dúvidas sobre a capacidade dos modelos mais antigos se adaptarem à mudança e quem arcará com os custos das alterações.
Entre as montadoras consultadas pela Agência Lusa, a incorporação dos biocombustíveis no abastecimento não é uma novidade, mas a ausência do "elemento surpresa" não diminuiu as divergências.
A Renault, por exemplo, garante que até o final de 2009 todos seus motores a diesel em Portugal poderão receber até 30% da mistura de biocombustível, mas quando o assunto é a frota já em circulação, impera a falta de informação.
"Se a norma passar a ser B10 [10% de biodiesel], não há outra alternativa que não seja alterar o carro (...), mas não faço idéia de que forma isso vai se processar", disse o diretor de comunicação da montadora francesa, Ricardo Oliveira.
"Estamos na perspectiva de entender o que vai acontecer", declarou, por sua vez, Marco Lazarino, diretor comercial da Fiat.
Todos os carros a diesel que a montadora italiana produz em Portugal são, desde 2000, aptos a utilizarem 5% de biocombustível.
"Os 10% é uma meta, para nós, já atingida, porque hoje os 5% que nós podemos utilizar têm um grande coeficiente de segurança", afirma.
Em relação aos veículos com mais de oito anos, Marco Lazarino diz que "não há nenhum estudo" sobre a capacidade desses carros utilizarem ou não a porcentagem de biocombustível, mas acredita que pode não ser necessária uma grande adaptação.
"O cliente Fiat poderá estar descansado porque vai poder utilizar seu veículo quer seja através de um pequeno aditivo, quer seja através de alguma alteração. Ele vai poder utilizar o carro de uma forma perfeitamente segura, assumindo a Fiat tudo o que tiver que alterar", garantiu o diretor comercial da marca.
Da parte da Renault, é dada a mesma garantia. "Temos um parque muito grande e, obviamente, a Renault terá uma solução quando chegar a altura", garantiu Ricardo Oliveira.
Já a Ford avalia que os fabricantes podem ter que se preparar para modificar os veículos em função da entrada em vigor da norma do governo português. Para já, a empresa desaconselha a utilização de mais de 5% de biocombustíveis.
"Há problemas de corrosão e os veículos têm que ser desenvolvidos de forma diferente", alertou a diretora de comunicação Anabela Correia.
A Acap (Associação Automóvel de Portugal) não tem dúvidas de que a responsabilidade --e os custos-- de adaptação dos veículos acabará caindo nas mãos dos motoristas, situação que, a princípio, afetará os donos de carros e caminhões mais antigos.
De acordo com o secretário-geral da associação, Hélder Pedro, compete aos proprietários "assegurarem-se de que o veículo está em condições de receber (...) essa composição de 10% de biocombustível".
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