Inflação global ameaça crescimento chinês, diz governo
da Agência Lusa, em Xangai
O vice primeiro-ministro chinês, Wang Qishan, alertou nesta sexta-feira que a alta generalizada dos preços no mundo constitui uma ameaça ao crescimento acelerado da China, destacando que os preços no exterior exercem uma enorme pressão sobre a economia do país.
"A economia chinesa continua a registrar um crescimento rápido (...) embora o ritmo econômico esteja a enfrentar contradições e problemas", afirmou Wang durante um discurso em um fórum financeiro em Xangai.
"Os preços são relativamente elevados, os bens de investimento fixo não retomaram níveis racionais e ao mesmo tempo a inflação global intensificou-se, criando uma enorme pressão externa sobre a China", explicou Wang.
O governo chinês tem feito um esforço enorme para controlar a inflação --que subiu 8,7% em fevereiro no acumulado dos últimos 12 meses, o valor mais elevado dos últimos 12 anos--, enquanto ao mesmo tempo tenta manter o crescimento acelerado acima dos 10% que a China registra há cinco anos consecutivos.
A quarta maior economia do mundo cresceu 10,6% no primeiro trimestre de 2008 em comparação com o ano anterior.
Wang, antigo responsável pelo município de Pequim e atual homem forte do governo em matéria econômica, reiterou a política anunciada pelo governo chinês no início deste ano e afirmou que a China tem que continuar a reforçar o controle macroeconômico e a implementar uma política fiscal prudente em conjunto com uma política monetária rigorosa.
"Temos que impedir que o crescimento econômico se transforme em sobreaquecimento e evitar que os preços se transformem em inflação", destacou o representante do governo chinês.
De acordo com Wang, o enfraquecimento do dólar, a instabilidade dos mercados financeiros e a economia dos países em desenvolvimento, obrigam a China a tomar medidas de proteção do seu sistema econômico-financeiro.
"Se não lidarmos com os riscos adequadamente, isso pode provocar turbulência na economia em geral e colocar em perigo a estabilidade social e política", acrescentou.
Wang observou que a China vai prosseguir com a reforma do seu sistema bancário, reforçar o controle dos fluxos de capitais estrangeiros e que pretende estabelecer uma rede de segurança financeira.
Em conformidade com os alertas de Wang, o responsável pelo banco central da China, Zhou Xiaochuan, afirmou que o país tem que continuar a aprofundar o seu envolvimento na economia global, protegendo-se de possíveis efeitos negativos.
"Temos que participar ativamente na cooperação econômica mundial ao mesmo tempo em que prevenimos o impacto volátil que a economia global tem na economia chinesa", referiu.
"Temos que manter um desenvolvimento econômico rápido e equilibrado e partilhar a responsabilidade na promoção no desenvolvimento econômico global e manter a estabilidade na economia global."
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