Dinheiro
09/05/2008 - 14h00

EUA estão entupidos de dívidas mas têm risco zero, reclama Lula

da Agência Brasil
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita à Bahia nesta sexta-feira, criticou a inexistência de risco de investimento nos Estados Unidos, abatido por uma crise de crédito que tem gerado perdas bilionárias nos últimos meses. "Está uma crise imensa e não tem risco. Aumenta o risco do Brasil, da Rússia, e os americanos, que estão entupidos de dívida, têm risco zero. É uma inversão das empresas que medem risco na minha opinião", afirmou.

Entenda a crise que atinge a economia dos EUA

Lula se referiu ao fato de os EUA, segundo as agências de classificação de risco, darem ao país a melhor nota de risco de crédito. Na semana passada, uma das três principais entidades da área, a Standard & Poor's, revisou para cima o rating concedido ao Brasil, melhorando a classificação geral para grau de investimento, colocando o país no primeiro degrau do ranking de bons pagadores.

Raimundo Pacco/Folha Imagem
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita obras do terceiro trecho do Gasene ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita obras do terceiro trecho do Gasene ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff

Na terça-feira, no entanto, a também influente agência Moody's jogou um "balde de água fria", ao avaliar com um viés menos favorável a economia brasileira e manter o seu rating sobre Brasil abaixo do grupo dos melhores classificados.

Profissionais de mercado também parecem menos otimistas sobre a rápida revisão do rating brasileiro pela agência Fitch, que confirmou nesta semana estar reavaliando a nota de risco de crédito do país.

O chamado rating (nota de risco) é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa ou país quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, essas agências preparam notas para estes títulos, para que os potenciais compradores avaliem os riscos. Quanto melhor a nota, menor o risco de calote.

Alimentos

A crise mundial de alimentos também foi mencionada pelo presidente. Segundo Lula, a tendência é que quanto mais os países crescerem economicamente, mais potencial de compra a população vai ter para se alimentar e diversificar o que consome à mesa.

Entenda a crise dos alimentos

"Temos um problema que não acho grave, que é a subida do preço dos alimentos. Esse é um desafio, não pode ser encarado como uma coisa desastrosa para nós. É a chance que temos de fazer mais uma revolução agrícola".

Lula também defendeu a expansão econômica de forma contida, desde que seja duradoura. "Nunca trabalhei com a idéia de que o Brasil devesse fazer a loucura de crescer 10% ou 15% ao ano, como já crescemos na década de 70. Trabalho com a idéia de que possamos crescer 5%, 6%, 4,5%, mas que seja durante um longo período, e vá construindo bases sólidas".

As declarações foram feitas pelo presidente em Pojuca (BA), durante discurso na visita ao projeto Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste). O gasoduto percorre o trecho entre Catu (BA) e Cacimbas (ES) e integra o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A estimativa da Petrobras é que a obra seja concluída em 2010 e permita o acréscimo de até 20 milhões de metros cúbicos na oferta de gás natural ao Nordeste, o que representa quase o dobro do que a região consome atualmente.

A agenda do presidente na Bahia inclui também visita ao município de Lauro Freitas e à capital Salvador, onde assina atos do PAC nas áreas de habitação, saneamento, infra-estrutura, além do Bolsa Formação para militares.

 

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