Petróleo crava novos recordes e fecha perto de US$ 126
da Folha Online
Em mais um dia de avanço, o petróleo cravou novas marcas recorde, durante as negociações do dia e no fechamento dos negócios. A desvalorização do dólar está na raiz da disparada do preço da commodity nos últimos dias, e da eventual escassez de oferta do produto que isso possa acarretar.
O barril do petróleo cru, para entrega em junho, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), encerrou o dia cotado a US$ 125,96 (alta de 1,83%), marcando mais um recorde sucessivo para um encerramento de sessão (ontem, o barril fechou cotado a US$ 123,69). Durante o dia, o preço atingiu o pico de US$ 126,20, novo recorde para um dia de negócios.
O euro foi negociado hoje a US$ 1,5453, contra US$ 1,5404 de ontem. A desvalorização do dólar diante de outras moedas, como o euro e o iene, tornam o barril da commodity (que é negociado em dólares) acessível a mais compradores. Com mais competidores pelo petróleo em cena, a oferta atual fica mais restrita, fazendo com que o preço dispare --o que se vê há alguns meses.
Ontem, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, sinalizou que, com a política do banco de combater a inflação nos países da zona do euro, a taxa de juros do banco pode não ser reduzida ainda por algum tempo --ontem, o BCE manteve sua taxa de juros em 4% ao ano. A medida favorece a expansão do euro diante do dólar
Investimentos em commodities são vistos como uma garantia contra efeitos inflacionários. Segundo analistas, a desvalorização do dólar está na raiz do processo de alta do petróleo: com o dólar mais barato, o barril (que tem seus preços cotados em dólares) fica mais acessível, aumentando a pressão da demanda mundial pelo produto.
Além disso, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tem, em grande medida, ignorado os apelos dos países consumidores --principalmente dos que mais consomem, como os EUA-- para um aumento de produção. No início de março, a organização decidiu manter inalterada sua cota oficial de produção, fixada em 29,67 milhões de barris diários.
O presidente da organização e ministro da Energia argelino, Chakib Khelil, disse à época que "o mercado está bem abastecido" de petróleo e atribuiu a alta dos preços a vários fatores alheios à oferta, especialmente a uma alta atividade especulativa nos mercados petroleiros de futuros.
Com o petróleo mais acessível e a disputa maior pelo produto, o caminho fica aberto para novas altas. O próprio Khelil disse a um jornal argelino, no mês passado, que o preço da commodity pode atingir US$ 200 --responsabilizando a desvalorização do dólar pela alta.
O banco de investimentos Goldman Sachs também estima que o preço do petróleo possa chegar a US$ 200 dentro dos próximos dois anos, como parte de uma disparada provocada por dificuldades na ampliação da oferta mundial do produto. "A possibilidade de chegarmos a ficar entre US$ 150 e US$ 200 por barril parece cada vez mais provável no período dos próximos seis a 24 meses, embora prever qual poderá ser o pico atingido pelos preços do petróleo, bem como a duração do ciclo de altas, permanece uma grande incerteza", informou o banco em uma nota nesta semana.
O ministro do Petróleo de Angola, Desidério Costa, disse ontem que os países produtores de petróleo não são responsáveis pelos preços recorde da commodity e que não estão lucrando com essa situação. 'O lucro não está indo para o produtor', disse Costa, durante a OTC (Offshore Technology Conference), maior evento da indústria de petróleo offshore no mundo, em Houston (Texas).
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