Bolsas em NY caem com petróleo em US$ 126 e prejuízo da AIG
da Folha Online
As Bolsas americanas fecharam em queda nesta sexta-feira. As preocupações com a situação da crise de crédito no país, que vem afetando o sistema financeiro há meses, ganharam força desde ontem, com a divulgação do prejuízo trimestral da seguradora americana AIG (American International Group) e com o petróleo, que bateu novos recordes hoje.
A Bolsa de Valores de Nova York encerrou o dia em queda de 0,94%, com 12.745,88 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P 500 caiu 0,67%, para 1.388,28 pontos. A Bolsa Nasdaq encerrou o dia em baixa de 0,23%, com 2.445,52 pontos.
A AIG anunciou ontem perdas de US$ 7,805 bilhões no primeiro trimestre do ano, ante ganhos de US$ 4,130 bilhões no mesmo período de 2007. A empresa atribuiu o prejuízo à crise de crédito e à sua exposição à dívida com empréstimos hipotecários.
"A contínua deterioração do já frágil mercado imobiliário norte-americano, as alterações no mercado de crédito e a volatilidade das Bolsas têm tido um substancial efeito adverso sobre os resultados da AIG", reconheceu a seguradora.
O petróleo, em mais um dia de avanço, cravou novas marcas recorde. O barril do petróleo cru, para entrega em junho, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), encerrou o dia cotado a US$ 125,96 (alta de 1,83%), marcando mais um recorde sucessivo para um encerramento de sessão (ontem, o barril fechou cotado a US$ 123,69). Durante o dia, o preço atingiu o pico de US$ 126,20, novo recorde para um dia de negócios. A desvalorização do dólar está na raiz da disparada do preço da commodity nos últimos dias, e da eventual escassez de oferta do produto que isso possa acarretar.
A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tem, em grande medida, ignorado os apelos dos países consumidores --principalmente dos que mais consomem, como os EUA-- para um aumento de produção. No início de março, a organização decidiu manter inalterada sua cota oficial de produção, fixada em 29,67 milhões de barris diários.
"A possibilidade de chegarmos a ficar entre US$ 150 e US$ 200 por barril parece cada vez mais provável no período dos próximos seis a 24 meses, embora prever qual poderá ser o pico atingido pelos preços do petróleo, bem como a duração do ciclo de altas, permanece uma grande incerteza", informou o banco em uma nota nesta semana.
"Acho que o que estamos vendo até o momento é uma reação principalmente à notícia da AIG", disse à agência de notícias Associated Press (AP) o estrategista-chefe da Federated Investors, Phil Orlando. "A notícia chegou como uma surpresa para alguns e como sinal de alerta para a maioria, de que as empresas de serviços financeiros não estão ainda fora de problemas."
Com os dados negativos, os investidores não se deixaram levar pela redução do déficit na balança comercial americana. Segundo o Departamento do Comércio, o déficit comercial dos EUA ficou em US$ 58,2 bilhões em março, uma redução de 5,6% em relação a fevereiro.
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