Dinheiro
12/05/2008 - 08h10

Movimento organiza sindicalismo, mas parte das bandeiras fica para trás

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

As greves dos metalúrgicos do ABC de 1978, 1979 e 1980 resultaram no chamado novo sindicalismo. Os protestos, manifestações e discussões levantaram bandeiras que foram encampadas, defendidas, viraram grito de guerra. Trinta anos depois, algumas dessas pautas foram acatadas, como a recuperação dos salários e a redução da jornada de trabalho, outras, no entanto, ficaram nas faixas.

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Em evento da Scania, no ano passsado, Lula relembrou a greve realizada em 1978
Em evento da Scania, no ano passsado, Lula relembrou a greve realizada em 1978

Entre as principais queixas da época estava a autonomia e absoluta independência dos sindicatos, mantidos apenas pelas contribuições dos associados. "Alguns eram contra o imposto sindical, mas sempre mantiveram", critica o sociólogo Francisco Weffort., ex-secretário-geral do PT e ex-ministro da Cultura do governo Fernando Henrique Cardoso.

Para ele, os sindicatos ainda dependem do Estado. "[Após os movimentos] houve maior liberalização do movimento sindical dentro da estrutura corporativista do Estado", afirma.

O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, afirma que a figura do delegado sindical, que atuaria dentro das empresas, era outra reivindicação da época que nunca aconteceu.

Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), afirma que ainda há mudanças a acontecer, mas que a relação trabalho/capital avançou muito. "Acabou de sair o reconhecimento das centrais. Mas é preciso modernizar os sindicatos e garantir o direito de organização sindical dentro das empresas", afirmou.

Em evento em São Bernardo, em 2007, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da época e atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou as transformações positivas. "De lá [greve de 1978] para cá, eu sou testemunha da evolução da relação capital/trabalho. Eu sou testemunha das conquistas que vocês [trabalhadores] obtiveram nessa relação."

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca