Líder da greve da Scania se tornou primeiro prefeito do PT
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
Gilson Correia de Menezes, 58, era ferramenteiro em 1978 e liderou mais de 3.000 metalúrgicos na greve da Scania, a primeira depois do AI-5 (Ato Institucional) e que seria um marco do movimento pelas melhorias nas condições de trabalho e de resistência ao regime militar.
"A greve foi organizada com lideranças das seções nos banheiros da Scania. Nada podia vazar, era muito arriscado. Se alguém soubesse, eu seria preso e levaria um pau no Dops", lembra Gilson Menezes.
Os encontros secretos começaram na segunda-feira daquela ano, dia 7 de maio, e a greve foi marcada para a sexta-feira. "Eu cheguei no sindicato [dos metalúrgicos] na quinta e disse que na sexta nós iríamos parar na Scania. Teve companheiro que não acreditou e alguns nem me deram muita atenção. Mas eu sabia que tinha de fazer aquilo", lembra Gilson.
| Rosane Marinho/Folha Imagem |
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| Gilson Menezes, ex-prefeito de Diadema (SP), liderou a greve |
Para o ex-ferramenteiro, a descrença era justificada. Greve, naquele momento, era algo muito arriscado. "Alguns colegas da Scania chegaram a propor mais tempo para organização. Mas se havia o risco da greve, pior seria se alguém descobrisse."
Gilson, então com 28 anos, casado e com duas filhas pequenas, conta a tensão daquele momento. Antes das 9h representantes da Secretaria do Trabalho e do Dops estavam dentro da empresa, negociando o fim da greve, mas sem muita diplomacia, já que as ameaças, veladas ou não, davam o tom da conversa.
"Eu sempre me despedia das minhas filhas antes de sair para o trabalho. Naquele, não consegui", conta Gilson, lembrando do medo de que aquela fosse uma despedida definitiva. "A gente ia para luta, mas não sabia se iria voltar".
Perfil
Ele continuou na Scania até 1980. Quando o sindicato sofreu intervenção federal e seus dirigentes perderam a estabilidade, Gilson também perdeu o emprego. Virou o diretor do Fundo de Greve.
Em 1982, Gilson foi eleito o primeiro prefeito petista do país, em Diadema, no ABC. Assumiu de 1983 a 1988. Durante seu governo, o PT montou um espécie de tropa de elite de partidários nas secretarias e departamentos.
Gilson deixou o cargo e, depois, deixou o PT. Voltou a ser prefeito de Diadema (1997-2000), já pelo PSB, depois de ser deputado estadual. Atualmente, é pré-candidato a vice-prefeito pelo PSC. O cabeça de chapa, Mário Reali, é do PT.
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