Dinheiro
12/05/2008 - 08h51

Economistas prevêem alta nos juros para 12,25% e IGPs acima de 7%

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Os economistas e analistas do mercado financeiro aumentaram novamente suas previsões para a inflação em 2008 e já esperam um ajuste maior da taxa básica de juros, segundo a pesquisa semanal do Banco Central conhecida como relatório Focus.

A alta da inflação levou os economistas a preverem um aumento de mais 0,5 ponto percentual nos juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), nos dias 3 e 4 de junho. A expectativa é que a taxa Selic passe dos atuais 11,75% para 12,25% ao ano. Na última reunião, em abril, a taxa passou de 11,25% para 11,75% ao ano.

Os economistas aumentaram também a expectativa para a taxa Selic no fim do ano, que deve terminar 2008 em 13,25% ao ano. A previsão na semana passada era 13%. Para o final de 2009, a previsão subiu de 11,5% para 11,75%.

Inflação

A expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta de inflação, subiu pela sétima semana seguida. O IPCA deve fechar o ano a 4,96%, acima dos 4,86% esperados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%.

A estimativa de inflação para os preços administrados caiu de 3,7% para 3,65%, apesar do aumento do diesel e da gasolina, o que mostra que a alta de preços deve ser puxada mesmo pelos alimentos.

Os demais indicadores de inflação pesquisados pela instituição também tiveram as projeções para 2008 elevadas pelo mercado. O maior destaque foram os IGPs, que servem de base para o reajuste de aluguéis e tarifas. Na semana passada, a FGV, responsável pela medição desses índices, mostrou que a inflação em 12 meses já supera os 10%.

A expectativa do mercado para o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) subiu de 6,28% para 7,19%; o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) teve a previsão aumentada de 6,59% para 7,67%; e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) ficaria em 4,32%, ante 4,28% da semana anterior.

PIB e dólar

A previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ficou estável, em 4,66% para 2008. Para 2009, foi mantida a previsão de 4%. Ambas estão abaixo da projeção oficial do governo, de 5% para os dois anos.

A estimativa para o dólar caiu de R$ 1,74 para R$ 1,72 no final deste ano. Para dezembro de 2009, a previsão se manteve em R$ 1,80.

Contas externas

A previsão do saldo da balança comercial em 2008 foi mantida em US$ 25 bilhões. Para 2009, caiu de US$ 16,95 bilhões para US$ 16 bilhões.

Aumentou a expectativa de investimentos estrangeiros diretos, de US$ 30 bilhões para US$ 31 bilhões (2008), que devem ser puxados pela notícia de que o Brasil atingiu o chamado "investment grade" (grau de investimento).

Houve ligeira queda na previsão para a relação dívida/PIB, de 41,5% para 41,47% neste ano. Por fim, piora para o saldo em conta corrente, de um déficit de US$ 18 bilhões para um resultado negativo de US$ 19,8 bilhões.

 

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