Tentar conter queda do dólar seria pretensão do governo, diz Paulo Bernardo
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse nesta segunda-feira, no lançamento da nova política industrial do governo, no Rio, "que seria muita pretensão do governo achar que há condições de se fazer uma política fiscal capaz de reverter o processo de desvalorização do dólar". De acordo com o ministro, o quadro atual da moeda americana acontece em todo o mundo.
"Gastaríamos muito dinheiro e não iríamos reverter a tendência de queda", disse. Bernardo acrescentou que a despeito de o dólar estar caindo, as exportações brasileiras vêm crescendo há cinco ano consecutivos. "Não vi ninguém falar que quebrou por causa do dólar."
O ministro rebateu as críticas de que o governo está inerte em relação à desvalorização cambial. O ministro avaliou que o governo não vai tomar medidas "artificiais" de controle do câmbio a exemplo do que, segundo ele, ocorria no passado.
Paulo Bernardo disse ainda que a criação do fundo soberano é uma estratégia para fomentar as atividades de empresas brasileiras no exterior.
O ministro afirmou ainda que as críticas antecipadas à nova fase da política industrial são coisas normais do país. "É natural que haja crítica a qualquer coisa que se faça no Brasil. Essas críticas vêm de gente que não fez nenhum investimento em infra-estrutura. Foram 25 anos sem investimentos nesse setor. E a política, junto com o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], é um plano para isso."
As novas medidas da política industrial --batizadas de "Política de Desenvolvimento Produtivo"-- estão sendo anunciadas nesta segunda-feira no Rio de Janeiro. Um dos principais focos do programa é a ampliação das exportações.
A meta para 2010 é fazer com que o Brasil tenha uma participação de 1,25% do total das exportações no mundo, o que corresponde a US$ 208,8 bilhões. No ano passado, as exportações brasileiras representaram 1,18% do total no mundo, ou US$ 160,6 bilhões. A expectativa é de um crescimento médio anual de 9,1% nas vendas externas entre 2008 e 2010.
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