Dinheiro
12/05/2008 - 16h42

Dólar fecha a R$ 1,66; mercado "ignora" anúncio sobre fundo soberano

da Folha Online

O dólar comercial foi trocado a R$ 1,666, em declínio de 1,18%, nos últimos negócios desta segunda-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,770 (venda), em retração de 1,66%.

As especulações sobre um possível "upgrade" do rating (nota de risco de crédito) brasileiro, desta vez pela agência Fitcht, tiveram influência significativa nos negócios de hoje. O otimismo sobre a economia brasileira, aliado à ausência de saídas importantes de recursos, ajudou a derrubar as cotações da moeda americana.

"O mercado está atento a isso [a possível melhora do rating], mas por enquanto, ainda há muita especulação. O importante é que nesses dias as saídas foram muito poucas e o cenário externo não deu mais sinais de deterioração. Muitos bancos, que estavam comprados, podem ter começado a se desfazer de moeda", comenta gerente de câmbio da corretora Fluxo.

Esse relativo otimismo pode ter reduzido o impacto do anúncio da criação do fundo soberano, pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Esse fundo será "formado por recursos fiscais, reservas primárias e operações financeiras", segundo Mantega, e pode chegar a US$ 20 bilhões.

Na semana passada, corretores explicaram a alta das taxas, em parte, às especulações sobre o fundo soberano.

A atualização da balança comercial até a segunda semana de maio mostrou exportações e importações acima da média. No acumulado do ano, a média diária de exportações é de US$ 663,8 milhões, valor 15,6% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Já a média diária de importações está em US$ 597 milhões, resultado 43,7% maior que o verificado no mesmo período do ano passado.

O superávit comercial foi de US$ 5,877 bilhões, com média diária de US$ 66,8 milhões, número 58% abaixo da média que o registrado em idêntico período em 2007.

O Banco Central realizou seu habitual leilão de câmbio às 14h58 e aceitou ofertas por R$ 1,6645 (taxa de corte). Por volta das 12h45, a autoridade monetária promoveu um leilão, que foi cancelado, e um segundo, por volta das 13h, que também foi anulado. O BC atribuiu os cancelamentos a problemas no Sisbacen, o sistema de comunicação com os bancos, provocados por ofertas feitas de forma errada por um dos dealers.

Juros futuros

Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), o mercado futuro de juros acompanhou o câmbio e as taxas projetadas para 2009, 2010 e 2011 caíram.

No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada recuou de 13,12% ao ano para 13,03%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada caiu de 14,31% para 14,22%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada retraiu de 14,33% para 14,19%.

O boletim Focus, preparado pelo Banco Central, revelou que a maioria dos economistas do setor financeiro ajustou para cima suas projeções para a inflação e a taxa básica de juros. A inflação prevista para o ano passou de 4,86% para 4,96% --o sétimo ajuste consecutivo captado pelo relatório do BC. Já a taxa Selic deve fechar o ano em 13,25%. A previsão anterior era 13%.

Comentários dos leitores
José Luiz (1) 18/08/2008 17h27
José Luiz (1) 18/08/2008 17h27
Nicola.
Não é a especulação que faz o Real wstá mais valorizado. É o Dolar que não está valendo nada no mundo inteiro.
A reportagem é tendenciosa.
sem opinião
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ANTONIO FIRMINA CASSACA (16) 11/08/2008 12h36
ANTONIO FIRMINA CASSACA (16) 11/08/2008 12h36
O Brasil perdeu uma grande oportunidade, ao invés de nossos representantes no governo federal realizarem ajustes em favorecimento do desenvolvimento da economia, resolveram abrir as torneiras do gasto público. Só se criou cargos, ministérios e secretarias além do gasto com políticas paternalistas, que no caso seguram a popularidade do governo Lula. Para se gastar é necessário antes arrecadar, e para isto o governo necessita recolher impostos, como não houve nenhuma preocupação em fortificar nosso quadro produtivo, estaremos a mercê de uma crise premeditada. Se o Brasil exportou mais e gerou empregos, não foi graças ao governo e sim ao mercado interno e externo. A oportunidade passou e o Brasil não aproveitou, mas há males que vem para bem, porque agora quero ver o refrão, "nunca antes na história deste país", ser pronunciado pelo nosso excelentíssimo presidente. Se o governo tivesse feito a reforma tributária, se ao invés de inchar o Estado, economizasse, se favorecesse a iniciativa privada para atuar nas áreas mais carentes e se não deixasse a corrupção tomar conta de nosso país. Teríamos uma luz ao fim do túnel, vamos esperar para ver o que acontece, mas as previsões não são boas é só acompanharmos a economia e os índices que regram esta. 77 opiniões
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Adolfo Julio dos Santos (4) 08/08/2008 18h51
Adolfo Julio dos Santos (4) 08/08/2008 18h51
Simples, para os produtores não há interesse em vender para o mercado interno e caso o governo resolva taxar as importações, simples, vai acontecer como aconteceu na Argentina: vão fazer piquetes e realizarem uma paralisação. Os produtores não estão nem aí para o mercado interno, querem mais é que os brasileiros que se danem! 17 opiniões
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