Menor apreciação do real gera impacto positivo para a Petrobras
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.
Outro fator que influenciou o aumento de 68% do lucro líquido da empresa, de janeiro a março, foi diferença de mais R$ 1 bilhão em função da repactuação do Plano Petros [plano dos servidores da companhia], verificada no 1º trimestre de 2007.
"No primeiro trimestre do ano passado, a apreciação do real frente ao dólar chegou a 4%. No mesmo período este ano, essa valorização não passou de 1%, impactando os ativos da Petrobras no exterior", afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da estatal, Almir Barbassa.
A Petrobras teve perdas de R$ 120 milhões no primeiro trimestre devido à valorização do real.
O executivo disse ainda que o déficit na balança comercial da companhia, de US$ 775 milhões, deverá ser reduzido ao longo do ano. Ele não confirmou, no entanto, se tal balança vai se tornar superavitária ao final de 2008. A tendência de queda do prejuízo é reforçada, segundo ele, pela retomada das operações da unidade da refinaria de Paulínia (Replan) e do menor uso de óleo diesel nas usinas termelétricas.
"O uso de diesel nas térmicas passa pela produção interna de gás. Além da maior geração do produto nos campos nacionais, aumentamos a importação da Bolívia, e temos a perspectiva da entrada do GNL [Gás Natural Liquefeito]. Assim, o uso do diesel para a geração elétrica vai para o fim da fila", observou.
O diretor de abastecimento e refino da empresa, Paulo Roberto Costa, admitiu no mês passado que a projeção da Petrobras era de déficit na balança de derivados, em termos de valores. Costa, no entanto, mostrou-se confiante de que a companhia vai reverter essa perspectiva.
Os investimentos da Petrobras no primeiro trimestre chegaram a R$ 10,1 bilhões, 23% acima dos R$ 8,3 bilhões verificados em igual período em 2007. Pesou nesse resultado o incremento de 82% dos recursos para a área de gás e energia, que somaram R$ 359 milhões. Segundo Barbassa, houve aceleração dos investimentos em gasodutos, o que explica tal aumento.
A área de abastecimento teve investimentos de R$ 1,7 bilhão de janeiro a março, 72% acima do constatado em igual período em 2007. Isso ocorreu em função dos recursos utilizados na modernização de refinarias e na construção da refinaria do Nordeste, em Pernambuco. A área de exploração e produção teve investimentos totalizados de R$ 4,6 bilhões, 18% acima do verificado nos três meses iniciais no ano passado.
Barbassa informou ainda que a Petrobras deverá divulgar a revisão de seu plano estratégico em setembro. O diretor acrescentou que, até o fim do ano, a empresa pretende captar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, tanto no mercado internacional quanto no mercado interno.
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