Dinheiro
13/05/2008 - 10h56

Custos elevados mantêm preços dos alimentos em alta

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MAURO ZAFALON
da Folha de S.Paulo

A preocupação dos bancos centrais com a pressão inflacionária vivida neste momento, devido à alta dos alimentos, deve continuar. Se a pressão atual vem do desequilíbrio entre aumento do consumo e pouca oferta, virá, também, a partir de agora, dos elevados custos de produção enfrentados pelos produtores em todo o mundo.

Os bons preços internacionais das commodities agrícolas devem incentivar os produtores a plantar mais e a buscar maior produtividade. A produção pode ser maior, mas a um custo mais elevado do que o da safra anterior. Essa pressão de custo se espalha pelo planeta.

O Brasil, um dos principais fornecedores mundiais de alimentos, não fica imune a essa alta. Ao contrário, tem gastos superiores aos de outros países, principalmente devido às deficiências em infra-estrutura. No país, os custos dos produtores neste ano devem superar em até 50% os do ano anterior, dependendo da região.

Essa alta se deve à forte aceleração no preço dos insumos --sementes, adubos, produtos químicos etc. O líder de aumento são os adubos e fertilizantes. Algumas regiões do país, principalmente as fronteiras agrícolas, estão pagando o dobro do que pagavam no ano passado.

Conforme negócios realizados na BN --Bolsa de Negócios, Insumos e Sementes, especializada em negociações de produtos agrícolas, algumas fórmulas de adubos e fertilizantes tiveram aumento de 120% entre março do ano passado e abril deste ano.

"A indústria de insumos tem perfeito controle sobre os custos, elevando ou baixando seus preços de forma a controlar a rentabilidade do produtor." A afirmação é de José Pitoli, da Coopermibra (Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil). Ele lembra que, quando os preços das commodities estão em fase de baixa, as indústrias reduzem os custos. Na fase de alta, no entanto, repõem margens, elevando os preços.

O custo atual dos insumos não preocupa o produtor Roberto Pozzi, de Maringá (PR), mas também não o deixa tranqüilo. "Enquanto os preços das commodities permanecerem nos patamares atuais, temos condições de pagar. Mas quem garante que eles [os preços] vão permanecer bons?"

Pozzi alerta para o seguinte cenário: custos elevados dos insumos agora, queda nos valores das commodities lá na frente e dólar caindo para R$ 1,50 após o Brasil conquistar a posição de país seguro para investimento.

Segurar custos

Anderson Galvão, da Céleres, diz que a safra 2008/9 vai ser rentável para o produtor, mas que essa lucratividade passa por uma série de fatores. O produtor vai vender sua safra com base na cotação do dólar, que está fraco diante do real, mas continua pagando parte dos custos internos na moeda brasileira: óleo diesel --que acaba de subir-- e salário mínimo.

Diante desse cenário, Pitoli diz que "o produtor não deve abrir a guarda". Ele recomenda bom controle sobre os investimentos, controle de gastos e busca da maior produtividade na lavoura.

No ano passado, o plantio foi feito com custos menores e perspectivas de preços maiores. Neste ano, no entanto, os custos estão elevados e muita coisa, inclusive uma recessão na economia norte-americana, pode derrubar os preços no início do próximo ano. "Se o produtor não travar custo, pode perder renda", afirma Pitoli.

É o que os produtores de Mato Grosso estão fazendo, onde grande parte deles já "comprou pacotes de adubos e de insumos químicos", segundo Juscelino Jankoski, da Rural Consultoria, de Nova Mutum (MT).

Com esses pacotes, os produtores travam os custos de adubos e fertilizantes, de sementes, de fungicidas, inseticidas e herbicidas. Em média, o produtor está gastando por volta de 42 sacas de soja, negociadas a cerca de US$ 20 cada uma.

Apesar dos custos elevados, Jankoski diz que o produtor vai ter boa renda neste ano. "Melhor do que a da safra 2007/8 [a que se encerrou]", diz ele.

Comentários dos leitores
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
A população mundial esta cega! pensando em quanto o mercado de ações vai ser bom, se o dólar vai cair ou subir, e esquecemos de pessoas que estão passando fome a nossa volta.
No mundo composto por 6 bilhões de pessoas, 4 bilhões passam com menos de 2 dólares por dia!
A teoria de Malthus foi quebrada, hoje à alimentos para todos, porém o excedente fica nas mãos de poucas pessoas no mundo.
O que está errado? Nada mais do que o sistema! esse sistema concentrador acaba bdneficiando poucas pessoas e excluindo a grande maioria da população. Como diz o economista chileno Max Neef: A economia esta para servir as pessoas e não o contrário.
Temos que parar com essa corrida desenfrada do excedente, e pensar numa solução justa para todos.

Renato Ribeiro de Oliveira - 4° ano de Economia - FAC FITO - Osasco - SP - Brasil.
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Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Estudos científicos divulgados ao final da década passada indicaram que se todas as nações do mundo, ao invés de aplicarem substanciais parcelas de seus respectivos Produto Interno Bruto (PIB) em materiais bélicos, que, em termos atuais, atinge a extraordinária cifra de 2.000.000.000.000US$ (dois trilhões de dólares) ao ano, em políticas públicas adequadas para o combate a essa gravíssima situação, em apenas 5 (cinco) anos seria possível não só a erradição da fome, quanto a geração de emprego e renda para todos os habitantes do planeta Terra, proporcionando-lhes, por conseguinte, uma vida digna.
É lamentável constatar, pois, de acordo com reconhece, aliás, um dos dirigentes da FAO, que a eliminação da fome e da subnutrição dependa tão-só de vontade política.
Salta à evidência, pois, que o homem está se utilizando, de forma equivocada, do livre arbítrio que o ente supremo lhe concedeu, expondo a condições sub-humanas mais de um bilhão de seus semelhantes.
É bem por isso que o Armagedon se aproxima, nisto crendo quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
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Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Os produtores de cana que se cuidem, uma vez que, quando se iniciar a exploraçãodo pre-sal e o Brasil estiver produzindo muito mais do que sua real necessidade de consumo de petróleo, certamente, mesmo que a Petrobrás não queira, os preços do óleo diesel e da gasolina irão cair, fato que tornará o consumo de álcool não compensador, pois se o preço de ambos os combustíveis estiverem iguais ou próximos, o proprietário do veículo optará pela gasolina, pois será mais econômica.
Se agora, do jeito que está já existem problemas no setor alcooleiro, imaginem então com o preço dos combustíveis oriundos do petróleo de baixo valor.
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