Publicidade

Dinheiro
13/05/2008 - 13h21

Meirelles diz que aumento do superávit primário seria positivo

Publicidade

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje que o aumento do chamado superávit primário (economia do governo para pagar os juros da dívida pública) seria positivo, mas que ele prefere não sugerir essa opção ao governo, já que não se trata de um assunto de competência do BC. A meta de superávit primário hoje é de 3,8% do PIB.

Durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Meirelles foi questionado pelo presidente da comissão, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), sobre o assunto.

"Em que medida a taxa Selic é suficiente para responder ao choque internacional de preços? Ela tem limites para amortecer um choque dessa natureza. Para não sobrecarregar a política monetária, nós temos de avançar no superávit primário", afirmou Mercadante.

O presidente do BC disse que poderia opinar sobre o assunto, mas sem defender a proposta, já que a decisão caberia a outros órgãos do governo.

"Não há dúvida de que um aumento de superávit primário tem componentes extremamente positivos na captação de recursos pelo Tesouro e no mercado de taxas de juros", afirmou.

Crítica

O presidente do BC também foi questionado sobre a criação do fundo soberano, que será anunciado hoje à tarde pelo Ministério da Fazenda e foi muito criticado pelos senadores, mas preferiu não se manifestar.

No sábado (10), reportagem da Folha (íntegra do texto exclusiva para assinantes do jornal e do UOL) revelou que o governo estuda aumentar a meta de superávit para 4,5% ou 5% do PIB --ante a meta atual de 3,8%. O novo esforço fiscal seria usado para a criação do fundo soberano.

O Ministério da Fazenda, Guido Mantega, aliás, foi o principal alvo dos senadores, principalmente da oposição. Já Meirelles foi poupado das críticas.

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), por exemplo, disse que gostaria de saber se Mantega trata seu orçamento doméstico "com tanto desperdício" como faz com o Orçamento da União. Afirmou também que o ministro age como se dirigisse um carro na contramão, achando que só ele está certo.

"Todos os economistas recomendam a diminuição dos gastos púbicos. Mas ainda não é uma unanimidade, porque só o Mantega não consegue ver isso."

Os senadores governistas que participavam da audiência não se manifestaram para defender o ministro da Fazenda.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca