Dinheiro
13/05/2008 - 14h30

Meirelles descarta tolerância e diz que BC vai mirar centro da meta de inflação

EDUARDO CUCULO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou nesta terça-feira que a instituição vá deixar que a inflação fique acima do centro da meta traçada para este ano.

A meta fixada pelo governo é de 4,5% para o IPCA (índice oficial medido pelo IBGE), com tolerância de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. Mas Meirelles disse que não se pode "mirar" na inflação utilizando essa margem de erro.

"Na medida em que não podemos prever os choques que poderão vir a ocorrer, e choques externos poderão afetar a economia, é aconselhável que o BC mire no centro da meta", afirmou Meirelles durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.

Ele lembrou que a inflação acumulada em 12 meses já ultrapassou os 5%, ou seja, está acima do centro da meta. Disse também que somente o controle da inflação poderá assegurar o crescimento do país neste ano, que o BC prevê em 4,8% para o PIB (Produto Interno Bruto).

"A experiência mostra que inflação alta leva à queda do crescimento, porque cai o poder de compra do trabalhador, dos programas sociais e o crédito na economia", disse. "Para que aumentemos o crescimento ainda mais é necessário que continuemos aumentando a oferta, a capacidade de produção, e não apenas a demanda."

Questionado sobre o aumento dos juros no Brasil em um momento em que outros países, como os EUA, reduzem suas taxas, Meirelles defendeu adoção de medidas adequadas à situação de cada país.

"Não se faz política monetária por analogia. Cada banco central tem de fazer o que é adequado à situação daquele país naquele momento. Alguns países começam uma recessão, outros estão com a economia aquecida."

Alimentos

Mais cedo, Meirelles admitiu que existe uma tendência de crescimento da inflação no Brasil, mas que o BC está agindo a tempo para evitar uma disparada dos preços.

"Existe uma tendência subjacente de crescimento da inflação no Brasil. Isso mostrou que o Banco Central deveria tomar medidas e o BC tem agido a tempo e na hora de evitar isso", disse Meirelles durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.

Para Meirelles, o aumento nos preços dos alimentos não é o único responsável pela inflação. "Quanto olhamos no atacado, mesmo com a exclusão de alimentos, o índice está subindo", disse. "Há risco de repasse de preços para o varejo e o BC tem de estar alerta para evitar isso."

Ele afirmou que o "BC tem a questão inflacionária no Brasil sob controle". "É importante que a autoridade tome medidas para a tempo e na hora para continuarmos em uma tendência de crescimento com inflação baixa."

Comentários dos leitores
João Oliveira (23) 05/09/2008 11h05
João Oliveira (23) 05/09/2008 11h05
Em termos de juros, o brasileiro não se importa de pagar 150% no cheque especial! É paradoxal porque também não se importa de receber 0,7% na poupança.
É a cultura dos juros altos.
No tempo da ditadura, falava-se em "juros extorsivos de 11%" pagos pela dívida externa.
E hoje?
Essa cultura - cultura de dar dinheiro a banqueiro - tem que mudar.
sem opinião
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Fernando Andrade (6) 05/09/2008 09h18
Fernando Andrade (6) 05/09/2008 09h18
Mais uma falha do BC em subir os juros na última reunião. Sou eleitor do presidente Lula, mas não confio no Henrique Meireles. Pra mim ele não é tudo o que falam, não é técnico por exemplo como o Arminio Fraga e neste posto meu amigo..vc tem que ser um cara técnico....Henrique Meireles, pede pra sair. sem opinião
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rubens sandner (4) 04/09/2008 13h36
rubens sandner (4) 04/09/2008 13h36
Eu odeio pobres!!!!!! eles são a desgraçça de qualquer nação!!!!!!!!!!!!!!!!!Comem M............. e gostam. 1 opinião
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