Famílias de baixa renda foram mais afetadas pela alta dos alimentos
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
As famílias de menor renda foram especialmente afetadas pela alta do preço dos alimentos, e o cenário, no curto prazo, deve continuar parecido, com pressão principalmente dos alimentos processados.
Em abril, o IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor-Classe 1) subiu 0,97%, com alta acumulada de 3,91% no ano. É a maior elevação verificada no 1º quadrimestre de um ano, desde o início da pesquisa, em 2004.
Esse índice mede a variação do custo de uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos.
No ano, a inflação sobre a baixa renda supera o índice geral, que engloba famílias com renda de 1 a 33 salários-mínimos. O IPC-BR subiu 2,16% no ano. O índice de abril do IPC-BR (0,72%) também ficou abaixo do índice que avalia as famílias de baixa renda.
Com peso de cerca de 40% no total do índice, os alimentos foram responsáveis por 79,38% do IPC-C1 de abril. Este ano, os alimentos vêm respondendo sempre por mais da metade do índice. No ano, tem representação média de 70% sobre a inflação acumulada de 3,19%.
Maio
O economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz, explicou que alguns alimentos, cujos preços subiram nos últimos meses, têm perspectiva de nova alta em maio, com base na coleta de preços dos últimos cinco dias.
É o caso do pão francês, que tem projeção de alta de 8,81% no IPC-C1 de maio. O item vem exercendo a maior pressão sobre o índice inflacionário das famílias de baixa renda, com alta de 14,22% de janeiro a abril. O pão francês tem peso de 2,80% dentro do IPC-C1.
O óleo de soja foi responsável pelo segundo maior impacto sobre o IPC-C1, com alta de 32,31% no ano. O produto tem peso de 0,92% dentro do índice. O leite longa vida registra alta acumulada de 8,01%, de janeiro a abril, no mesmo índice, enquanto que o ovo de galinha subiu 8,45%.
'O custo de vida da população de baixa renda subiu influenciado pelos alimentos. Os alimentos da cesta básica foram destaque em abril, e deverão continuar exercendo forte pressão em maio', afirmou Braz.
Outros alimentos com perspectiva de alta em maio, segundo ele, são o arroz branco (15,47%) e a carne moída, leite longa vida e macarrão (ambos com 4%). Por outro lado deverão cair, pela coleta de preços no início de maio, o feijão carioquinha (- 8,56%), açúcar (- 2,40%), ovo de galinha (- 2,74%) e frango (- 2,64%).
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