Definição de investimentos no pré-sal adia novo plano de negócios da Petrobras
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A definição dos novos investimentos na camada pré-sal vai adiar a revisão do planejamento estratégico da Petrobras, informou nesta terça-feira o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Almir Barbassa. Segundo ele, a nova previsão é para setembro. Antes, a estatal planejava divulgar o novo plano de negócios na metade deste ano.
"Estamos incorporando o pré-sal ao nosso plano de negócios, e isso vai demandar um tempo extra", afirmou, em teleconferência com analistas do mercado.
Barbassa evitou fazer projeções a respeito do volume de recursos que a exploração e produção na área pré-sal demandará. Ele comentou apenas que, até hoje, os investimentos na exploração desses blocos ultrapassou US$ 1 bilhão. O executivo destacou que a Petrobras está focando a redução dos custos na região mais promissora do país.
"No primeiro poço na área do pré-sal gastamos US$ 240 milhões, e hoje em dia já reduzimos esse gasto para algo entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões. Em cada poço que perfuramos, adquirimos conhecimento e aplicamos nos demais poços. Com isso, ganhamos também muito tempo na utilização de sondas, já que há uma demanda muito forte no mundo, e há dificuldades na contratação de sondas", explicou.
O diretor acrescentou que a Petrobras já acertou a contratação, por seis anos, de três novas sondas para a camada-pré-sal, que estão sendo construídas no exterior. Duas delas, que serão entregues em 2009, irão para a área de Tupi, para novas perfurações. A terceira será detinada à área de Carioca, e só chegará em 2010.
Atualmente, três sondas fazem trabalhos exploratórios na bacia de Santos, na área do pré-sal. Uma delas está na área de Júpiter, onde há perspectivas de grandes reservas de gás natural. As outras duas estão nas áreas de Guará e Bem-te-vi, vizinhas a Carioca.
Barbassa afirmou também que a estatal decidiu adotar um novo parâmetro para sua meta de produção. Foi decidida a criação de uma banda, que vai variar entre 1,950 milhão de barris/dia a 2 milhões de barris/dia. Anteriormente, a projeção estava fixada em 2 milhões de barris/dia.
"Em função dos atrasos na entrada de plataformas, decidimos revisar nossa meta de produção para 2008, e decidimos trabalhar com uma faixa. O centro médio é de 1,950 milhão de barris/dia, indo até os 2 milhões de barris/dia", observou.
O reajuste do preço da gasolina e do diesel foi necessário em função da menor apreciação do real sobre o dólar no primeiro trimestre, justificou Barbassa. Ele explicou que até o final do ano passado, a valorização do real compensava a alta do preço do petróleo, mas que esse cenário mudou nos primeiros três meses do ano, originando defasagem no preço dos derivados praticados no mercado interno.
"Esse reajuste vai nos proporcionar uma geração de caixa maior. Além disso, vamos estar mais presentes em captações no mercado", explicou.
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