Dinheiro
14/05/2008 - 15h22

Presidente do Brasil será xeque do petróleo em dez anos, diz Lula

EDUARDO CUCOLO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que, apesar de o Brasil estar prestes a se tornar um grande produtor de petróleo, devido às descobertas recentes da Petrobras, é preciso diminuir o consumo de combustíveis fósseis.

Durante encontro em Brasília com a chanceler alemã, Ângela Merkel, o presidente responsabilizou também a alta do petróleo e dos subsídios agrícolas dos países ricos pelo aumento internacional no preço dos alimentos.

"O bom senso é que a humanidade não pode continuar dependendo do petróleo", disse Lula. "Estou falando isso, para que a imprensa alemã compreenda, depois de o Brasil ter descoberto muito petróleo. Se vocês vierem daqui dez anos no Brasil, vocês vão chamar o presidente do Brasil de xeque, xeque da América do Sul", afirmou o Lula em entrevista para a imprensa brasileira e alemã.

Lula disse também que a produção de álcool vem crescendo junto com o avanço da safra de alimentos e negou que uma esteja tomando o espaço da outra. "Nossa experiência de 30 anos demonstra que o aumento da produção de etanol não causa degradação ambiental", disse. "Ao longo desse período, aumentamos a produção de alimentos para toda a população brasileira e ainda ampliamos nossa participação nas vendas internacionais."

Os dois países assinaram acordo, nesta quarta-feira, para investimento em biocombustíveis, eficiência energética e energias alternativas.

Fome no mundo

Em relação às críticas de que os biocombustíveis, como o álcool, seriam os responsáveis pela alta nos preços dos alimentos, Lula disse que ninguém fala sobre o impacto da alta do preço do petróleo nos insumos agrícolas e no custo de transporte ou sobre os subsídios para os agricultores dos países desenvolvidos.

Ao tocar no assunto, ele também pediu à chanceler que ajude nas negociações da Rodada Doha para liberalização do comércio, dentro da qual o Brasil reivindica a redução de subsídios para os agricultores dos países desenvolvidos.

"Não nos iludamos sobre as causas da fome no mundo e a recente elevação no preço dos alimentos. A incapacidade de muitos países de produzir seus próprios alimentos se deve também a séculos de distorções no comércio internacional."

Quanto às negociações da Rodada Doha, Lula fez um pedido à Merkel.

"Confiamos que a Alemanha atuará com igual sentido de liderança para superar as divergências que vêm impedindo a conclusão da Rodada Doha. A resposta está em eliminar os subsídios aos agricultores dos países ricos, que anulam as vantagens comparativas dos países em desenvolvimento."

Resposta alemã

Questionada também sobre o assunto, Merkel afirmou que o país não irá aumentar as metas de uso de biocombustíveis, mantendo as regras atuais da União Européia.

"A Alemanha vai manter a estratégia européia de bioenergia até 2020 e temos determinadas metas de adição [de biocombustíveis à gasolina]. Nós temos veículos antigos que não podem funcionar com determinado tipo de combustível", afirmou Merkel.

Mesmo assim, ela disse que os biocombustíveis vão prestar a sua contribuição para a redução da poluição, mas cobrou compromissos com a sustentabilidade. "É importante que a sustentabilidade seja garantida", afirmou.

Comentários dos leitores
Paulo Correa Alejandro (1) 08/07/2008 19h06
Paulo Correa Alejandro (1) 08/07/2008 19h06
SAO PAULO / SP
Acho muito interessante a folha Online sem opinião
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Eduardo José dos Santos (13) 08/07/2008 11h07
Eduardo José dos Santos (13) 08/07/2008 11h07
É lógico que não há nenhum interesse do G8 mais a Rússia, que os países emergentes façam parte desta cúpula. Para eles é mais fácil esteder uma mão do que as duas, tá na cara que os países pertencentes ao G8 temem em perder recursos c/ a inclusão de algum país emergente neste grupo. É claro que dependemos de outros países, mas isso não quer dizer que somos deles, po isso, deveríamos ter um pouquinho mais de dignidade c/ o nosso povo e olharmos p/ o nosso país, e trabalharmos intensamente tentando sanar problemas como a violência, saúde, educação, em vez de querer aparecer numa reunião que p/ nós não acrescenta absolutamente nada. Vamos trabalhar pra nós!!!!! 1 opinião
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Cristiano Garcia (99) 08/07/2008 10h57
Cristiano Garcia (99) 08/07/2008 10h57
CAMPO GRANDE / MS
Fico pasmo com as noticias da moda. Essa história de que 100 milhoes de pessoas poderão ficar na miseria por conta da escassez de alimentos. Há muitos anos é sabido até das pedras que muito mais de 100 milhoes de irmãos vivem abaixo de zero. E agora vem a midia assediada por interesses não tão ocultos, responsabilizar a produção brasileira de alcool, pela crise de alimentos. Os numeros mentem, e a midia às vezes se presta não para uma analise justa e imparcial daquilo que é fato. Mas vemos a midia dos paises desenvolvidos apenas ecoando serviçalmente, as mentiras deslavadas que que interessam aos verdadeiros predadores do planeta.
O governo do Sr. Bush é o verdadeiro causador de tudo. Mas ninguem protesta. Quando ele invadiu o Iraque o oleo estava a menos de U$ 30,00 o barril. Depois que viu a crise que ele proprio criou, resolveu apoiar a conversão de milho em alcool, ao inves de buscar uma parceria justa e equilibrada com o Brasil.
Então senhores, analisem independentemente os fatos. O preço do petroleo, o preço dos insumos agricolas como fertilizantes, defensivos e sementes, e a estupidez dos Eua em tornar milho alcool combustivel, não tem influencia alguma na crise mundial de alimentos e economia, mas o Brasil com sua produção racional de alcool sim, somos o grande vilão. Me poupem, e esqueçam a ONU. A ONU é apenas uma serviçal dos interesses americanos. A ONU é apenas uma ilusão, para fazer de conta que o mundo pode resolver com equidade, seus problemas.
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