Celso Amorim se diz "esperançoso" em acordo com a OMC
da Efe, em Roma
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) declarou nesta quarta-feira em Roma que estava "esperançoso" sobre a possibilidade de conseguir um acordo, antes de meados de julho, que conclua a Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio).
O chefe da diplomacia brasileira fez essas afirmações em uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Roma, onde havia se reunido previamente com a Representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Susan Schwab.
Amorim destacou que existe um "bom entendimento" entre os dois países, que têm "muitos pontos em comum" sobre os quais "tentam uma aproximação", e disse que o encontro apresentou um "maior entendimento sobre as dificuldades (da negociação) e como superá-las."
Apesar deste clima propício, o ministro de Relações Exteriores afirmou que não aconteceu "nenhum avanço" no diálogo sobre as tarifas aplicadas pelos EUA às importações de álcool procedentes do Brasil, um produto considerado "fundamental".
A próxima reunião com Schwab poderia ocorrer, segundo suas previsões, no início de junho, uma vez analisadas as propostas que serão apresentadas aos presidentes dos grupos de produtos agrícolas e industriais da OMC, nas quais Amorim espera não encontrar nenhum elemento que bloqueie as bases para um acordo.
Como exemplo de impedimento definitivo para prosseguir as negociações, Amorim apontou a possibilidade de que alguma das propostas "afete a integridade do Mercosul" ao obrigar algum de seus membros (Brasil, Argentina, Venezuela, Paraguai e Uruguai) "a sacrifícios ou cortes inaceitáveis".
Sobre as dificuldades de um consenso nos setores industriais e agrícolas, Amorim considerou "mais próximo" um equilíbrio nas negociações.
Em todo caso, o chanceler brasileiro afirmou que a data "fundamental" para um acordo básico será entre o final do próximo mês e o início de julho.
A respeito da influência das recentes altas do preço dos alimentos nas negociações da OMC, Amorim comentou que podia ser tanto positiva --tendo em vista que há uma menor necessidade de subsídios à exportação nos países "ricos"--, quanto negativa, já que os países "mais pobres" terão que limitar o comércio para garantir a segurança alimentar.
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