Sindigás projeta crescimento do gás de cozinha na matriz energética
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O Sindigás (Sindicato das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) projeta incremento da participação do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo, o gás de cozinha) na matriz energética brasileira, dos atuais 3,7% para 4,5%, em 2015. Para isso, aposta no aumento da utilização do insumo energético como substitutivo do gás natural nas grandes indústrias, que incluem novas tecnologias, como o GNS (Gás Natural Sintético), e no fim de várias restrições ao uso do GLP.
"O Brasil ainda tem muitas restrições, que não acontecem em outros países da América Latina. Fora isso, o próprio cenário promissor de descobertas de campos de gás natural resvala no GLP, que aproveita parte disso, aliado à construção de refinarias e à modernização das já existentes. Pelo menos 9% do que sai das refinarias é GLP", afirmou o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello.
O executivo disse que as empresas têm feito cada vez mais consultas a respeito da instalação de equipamentos que permitam substituir o gás natural pelo GLP de forma imediata. O custo de cada equipamento varia entre R$ 300 mil a R$ 500 mil.
As distribuidoras de GLP defendem que, independentemente da eventual escassez de gás natural, as indústrias consumam cerca de 20% do total em GLP. Um dos modelos utilizados em contratos já firmados prevê que a distribuidora instale equipamentos de conversão, desde que a indústria se comprometa a ter uma parte de consumo firme de GLP.
"O potencial de uso do GLP como back up é muito alto. Alguns setores, como o de cerâmica e de alimentos, não conseguem substituir o gás natural por outra fonte com a mesma qualidade de operação, caso utilizassem GLP", observou Bandeira de Mello.
As distribuidoras pretendem disseminar o uso do GNS, nova tecnologia que mistura GLP com ar, criando um produto com poder calorífero e características de combustão semelhantes ao do gás natural. O uso de GNS não requer modificações na planta industrial, porém, é 20% a 30% mais caro do que o gás natural.
"O GNS demanda também um custo de armazenamento. Mas é uma tecnologia que já vem sendo adotada por empresas na América do Sul, e já é utilizada pela Samsung, em Manaus, em uma planta com padrões mundiais que só aceita gás natural", destacou.
O Sindigás defende ainda que seja autorizada a utilização do GLP para outros usos, como em motores, no aquecimento de piscinas e em saunas e caldeiras.
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