Inflação de alimentos faz receita do grande varejo disparar, diz IBGE
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A inflação dos alimentos teve influência direta na receita nominal do setor de hiper e supermercados, que cresceu 6,5% em março em relação ao mês anterior. Na mesma comparação, o volume de vendas nos super e hipermercados teve elevação bem mais tímida, de apenas 0,9%. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio de março, divulgada nesta quinta-feira.
"A receita nominal do comércio foi fortemente influenciadada pelo segmento de super e hipermercados, devido ao aumento dos preços dos alimentos. O volume comercializado nesse setor não foi significativo", afirmou o coordenador da pesquisa, Nilo Lopes de Macedo.
A receita nominal do comércio teve incremento de 2,3% em março, na comparação com fevereiro. As vendas do comércio varejista aumentaram 1,8% no terceiro mês de 2008. O resultado, segundo Macedo, retoma o ritmo consolidado de crescimento do comércio, após uma variação negativa de 0,7% em fevereiro, na comparação com o mês anterior.
"O resultado de fevereiro foi influenciado pelo carnaval, que aconteceu na 1ª semana. Gasta-se um pouco mais no Carnaval, e isso pode ter comprometido a receita das famílias no restante do mês. O comércio voltou ao seu ritmo normal em março", explicou.
Outro fator que influenciou o resultado de março foi a Páscoa. A data, que geralmente acontece em abril, impulsionou as vendas em super e hipermercados. Na comparação com março de 2007, esse segmento registrou alta de 8,5%. Super e hipermercados exercem a maior influência sobre o índice de vendas do comércio.
Macedo ressaltou que o resultado recorde no 1º trimestre --aumento de 12% sobre o período de janeiro a março de 2007-- surpreende um pouco, já que esperava-se índice menores, em função da alta base de comparação após os bons resultados do ano passado. Ele disse ainda que existia a temeridade de a esperada inadimplência, que não aconteceu, afetasse o ritmo do comércio.
"Havia o temor de que, diante das fortes vendas que vem sendo verificadas, a inadimplência aumentasse, Isso poderia influenciar na seqüência do comércio", observou.
O economista evitou fazer projeções para o restante do ano, mas destacou que as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderão ter efeito positivo no comércio, devido à geração de empregos e renda.
Nos Estados, a maior alta do comércio foi registrada em São Paulo. Houve incremento de 17,7%, frente a março de 2007. Na outra ponta, Roraima teve redução de 6,7%. Na comparação com fevereiro, foi verificada alta de 7,2% na Bahia, e queda de 2% no Tocantins.
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