Dinheiro
15/05/2008 - 13h40

Opep acusa subsídios da UE aos biocombustíveis por alta dos alimentos

da Folha Online

A iniciativa da União Européia (UE) de subsidiar o setor de biocombustíveis resultou em uma escassez de alimentos, o que contribuiu para a alta dos os preços dos produtos alimentícios na Europa e na Ásia, além de provocar problemas ambientais. A avaliação consta do relatório mensal da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), divulgado nesta quinta-feira.

Segundo o documento, os subsídios aos biocombustíveis forçaram a UE a relaxar sua legislação sobre a produção agrícola a fim de permitir que os produtores europeus pudessem expandir o cultivo, para suprir a escassez.

A Opep ainda destacou que, devido à alta nos preços das matérias-primas, algumas usinas de biocombustíveis decidiram paralisar sua produção e modificar suas atividades.

"Esses desenvolvimentos pressionaram a UE para reavaliar seus planos para o biodiesel", diz o texto. O bloco europeu teria decidido rever seus planos não apenas devido à escassez de alimentos, mas também "devido à acusação de que os biocombustíveis não são tão inofensivos ao ambiente quando se achava no início".

O diretor do Conselho Econômico Nacional (órgão também ligado à Casa Branca), Keith Hennessey, por sua vez, avaliou ontem que a produção de biocombustíveis (vista como um dos principais fatores a influenciar a alta dos preços dos alimentos) não tem papel relevante no atual nível dos preços.

Brasil

Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, a alta do preço dos alimentos no mercado mundial tem entre suas causas o uso de matéria-prima de alimentos para a produção de biocombustíveis pelos Estados Unidos e pela União Européia.

Segundo ele, o país tem capacidade de produção de energia limpa, e tem demonstrado a compatibilidade dos biocombustíveis e os alimentos. O ministro informou que, atualmente, apenas 0,5% do território brasileiro é ocupado pela produção de álcool e reiterou que, em mais de 60% dos casos, a cana-de-açúcar tem aproveitado áreas de pastagens degradadas.

Preços

As expectativas para os preços dos alimentos não são otimistas: a vice-presidente do Banco Mundial (Bird), Pamela Cox, estimou ontem que os preços dos alimentos continuarão altos pelo menos nos próximos sete ou oito anos. "O problema dos preços elevados dos alimentos não vai desaparecer nos próximos sete ou oito anos. É preciso aumentar a produção" para resolver esse problema, afirmou.

Cox avaliou que medidas como o controle dos preços pelos governos, limitações ás exportações ou impostos sobre as importações não são recomendáveis para resolver o problema e que a América Latina está "muito mais fortalecida" para enfrentar a situação.

Já o chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca, Edward Lazear, tem uma estimativa menos pessimista, mas que também preocupa: para ele os altos preços dos alimentos devem persistir por mais dois ou três anos, até que os estoques mundiais consigam ser reabastecidos.

Lazear lembrou que a inflação dos preços dos alimentos no mercado mundial foi de 43% nos 12 meses encerrados em março. Ele disse que, como o milho representa uma parte muito pequena do índice do FMI (Fundo Monetário Internacional) para os preços dos alimentos), a participação da produção de álcool a partir do milho contribuiu com apenas 1,2% na alta geral nos preços dos alimentos.

Petróleo

A IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês) avaliou em seu relatório mensal publicado nesta terça-feira que, para substituir o álcool e outros biocombustíveis atualmente em uso nos mercados americano e europeu, seria preciso uma uma produção de mais 1 milhão de barris de petróleo por dia.

Segundo o documento, a alta nos preços dos alimentos ofuscaram o espaço que os biocombustíveis vinham ocupando na agenda dos líderes políticos mundiais, mas é improvável que os biocombustíveis sejam tirados de uso no futuro próximo.

'É assustador imaginar a quantidade de petróleo que seria necessária para substituir' os biocombustíveis, diz o relatório da IEA. A oferta de biocombustíveis deve crescer para 1,5 milhão de barris por dia neste ano, diz o documento.

Comentários dos leitores
cleiton rodrigues (1) 04/07/2008 13h20
cleiton rodrigues (1) 04/07/2008 13h20
ITAQUAQUECETUBA / SP
Realmente, as pessoas criticam o bolsa família pelo motivo errado. Ele, alem de ser um programa que contribui para a retirada de pessoas da linha da miséria, é indispensavel para reduzir o distanciamento social do nosso país. Agora, se o caso é discutir corrupção e uso eleitoreiro, o façam, mas não deixem de reconhecer o mérito, afinal, quem tem fome não quer saber de onde vem, desde que venha. sem opinião
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alex silva (7) 04/07/2008 12h38
alex silva (7) 04/07/2008 12h38
VOLTA REDONDA / RJ
Não dá pra entender as pessoas que criticam o bolsa família pois há pesquisas que mostram o aumento da melhora de vida dos miseráveis, visto que a renda não passa dos R$ 50,00 per capita. Não sabem o que é sentir fome, nem morte de crianças desnutridas. Só olham para seus proprios interesses fechadas nos seus proprios mundos. O mundo precisa de pessoas que façam e não apenas criticam. sem opinião
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B Cosmo (19) 02/07/2008 23h25
B Cosmo (19) 02/07/2008 23h25
SAO JOSE DOS CAMPOS / SP
Quanto a pergunta do M Mig (O Bolsa familia dá dinheiro para a população carente a troco de nada não é mesmo?)
Claro que é em troca de voto e uma imagem populista :)!!! O sr. Lula adora passar um Bla bla blá e ignorar os indices, agora resolveu criar seu próprios - Por que será ;) - a imagem populista do poder rifado pelos incoPTentes. Não só o bolsa família, mas o BOLSA DEPUTADO - 300 milhões para ajudar a repensar e reaprovar a CPMF.
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