Dinheiro
15/05/2008 - 19h15

FMI elogia fundo soberano e diz esperar novo grau de investimento para 2008

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O FMI (Fundo Monetário Internacional) avalia como positiva a criação do fundo soberano, anunciada nesta semana pelo governo. O vice-diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, José Fajgenbaum, que esteve hoje no Ministério da Fazenda, também disse que as perspectivas para a economia do Brasil são muito positivas e diz esperar que mais uma agência conceda o grau de investimento para o país ainda neste ano.

Apesar de não possuir mais dívidas com o FMI, o Brasil passa por uma avaliação anual por ser membro do Fundo.

Em relação ao fundo soberano, ele disse que é "uma boa idéia" fazer um superávit primário excedente e usá-lo como poupança de longo prazo. A meta de superávit primário (dinheiro que o governo economiza para pagar os juros da dívida) para esse ano é de 3,8% do PIB. No primeiro trimestre, no entanto, a economia chegou a 4,5% do PIB estimado para o trimestre, número que foi elogiado também por Fajgenbaum.

"O governo já tem um superávit primário bom, 4,5%. De acordo com a necessidade do país. Isso é uma boa idéia [fazer um superávit acima de 3,8%]", disse o vice-diretor. "É uma fonte de poupança muito importante para o país. [O governo] pode usá-lo como medida anti-cíclica: quando há necessidade, se usa esse recurso."

Ao elogiar a economia do país, ele disse esperar que "pelo menos mais uma" agência internacional de classificação de risco conceda o grau de investimento para o país ainda esse ano.

O Brasil alcançou essa classificação no final de abril pela agência Standard & Poor's. A agência Moody's já informou que manterá a nota do país abaixo desse nível por enquanto. Se espera agora o resultado da avaliação da Fitch.

"Felicitamos o ministro pelo grau do investimento e esperamos que em breve outras agências de rating dêem o grau ao Brasil", afirmou. Pelo menos uma [nesse ano]."

Fajgenbaum elogiou também as medidas tomadas pelo governo para segurar a inflação, entre elas, o aumento da taxa de juros, e disse estar "otimista" em relação aos resultados.

"A inflação tem uma parte que é de produtos alimentares e tem outra parte de demanda aquecida que o governo e o Banco Central estão tentando resolver. As medidas que estão sendo tomadas são boas, a alta dos juros, o [superávit] primário do governo."

 

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