Bush deve pedir à Arábia Saudita aumento da produção de petróleo
da Folha Online
com France Presse
Atualizada às 13h46
O presidente dos EUA, George W. Bush, chegou nesta sexta-feira a Riad (capital da Arábia Saudita), onde deve fazer um novo pedido para que o país aumente sua produção de petróleo, a fim de ajudar a reduzir o preço da commodity no mercado mundial --e, por conseqüência, a diminuir a pressão sobre os preços da gasolina para os consumidores americanos.
"Obviamente, a gasolina está cara demais para os americanos" e constitui uma das causas da desaceleração econômica nos Estados Unidos, afirmou à imprensa a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, a bordo do Air Force One, que levava Bush de Israel para a Arábia Saudita.
"Contamos com os países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para manter uma oferta adequada, e o presidente vai conversar novamente sobre isso com o rei', acrescentou.
Segundo os especialistas, o rei Abdullah provavelmente não cederá sobre o petróleo, mas deverá escutar atentamente o que Bush pretende lhe dizer sobre os meios de conter a expansão da influência iraniana na região, um assunto que preocupa muito os dois dirigentes.
Em janeiro, quando Bush se encontrou com o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, ele já havia feito o pedido para um aumento de produção. A resposta ao presidente americano foi de que a produção só seria elevada se as condições de mercado justificassem tal ação.
Hoje, o barril cravou a marca recorde de US$ 127,82, na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês).
Bush reconheceu que o aumento da produção pode não bastar porque a demanda por parte de países como Índia e China exige demais dos estoques mundiais e mesmo um aumento considerável de produção poderia não ser suficiente para fazer os preços cederem.
Nesta semana o Senado americano aprovou a suspensão até o fim do ano o envio de petróleo à reserva estratégica do país, como forma de aumentar o suprimento da commodity e permitir a ampliação da produção de gasolina. O presidente Bush já havia se declarado anteriormente contra o suprimento da reserva estratégica, mas o Senado enviou a medida para a Casa Branca e, segundo fontes ouvidas pelo diário americano "The Wall Street Journal", deverá ser sancionada.
O preço do galão de gasolina (3,785 litros) chegou a US$ 3,79 ontem e que, desde o início deste ano, os preços subiram 24%, informou hoje a AAA (Associação Americana do Automóvel, na sigla em inglês).
Segundo o analista Anthony Cordesman, do CSIS (Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, na sigla em inglês), o rei Abdullah pode elevar a produção "apenas devido á sua boa vontade", mas isso teria um efeito mínimo. "A influência dos EUA sobre a Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] está diminuída", afirmou. "Não está claro qual seria o incentivo para a Arábia Saudita (...) E a verdade é que o mercado não está sendo dirigido por nós; está sendo dirigido pela China, Índia e pela demanda na Ásia."
Leia mais
- Demanda mundial de petróleo será atendida em 2008, diz Opep
- ONU reduz para 1,8% previsão de crescimento da economia mundial
- Produção da Petrobras no Brasil volta a subir em abril
- ANP defende rapidez em licitação para exploração de petróleo
- Presidente do Brasil será xeque do petróleo em dez anos, diz Lula
- Reserva de petróleo dos EUA cresce, mas abaixo das expectativas
Livraria
- Livros da "The Economist" explicam termos essenciais de economia e negociação
- Folha Explica o dólar e sua importância no mundo globalizado
- Ensaios de Chomsky analisam política externa americana no final do século 20
- Conheça fontes de energia renovável, como biocombustíveis, em livro da série "Mais Ciência"
Especial

