Alta no preço de alimentos reduz consumo, aponta estudo
TATIANA RESENDE
da Folha de S.Paulo
O aumento nos preços dos alimentos começa a afetar o consumo das famílias brasileiras. Pesquisa da LatinPanel, que acompanha 8.200 domicílios, registrou queda de 6% no volume comprado no primeiro trimestre, com destaque para a retração nas classes C, D e E (7%), que têm renda mensal inferior a dez salários mínimos.
| Narendra Shrestha /Efe |
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A comparação é com o último trimestre de 2007. Mesmo levando em conta o efeito sazonal das vendas de Natal e Ano Novo, os números chamam a atenção, ressalta Maria Andréa Murat, gerente da LatinPanel.
Entre os produtos com diminuição no volume estão farinha de trigo (16%), café solúvel (8%), pão (7%), açúcar (7%), óleo (6%) e massas (4%). Na cesta de bebidas, a queda foi menor (3%), mas também puxada pelas retrações nas classes C (5%) e D/E (4%).
A inflação medida pelo IPCA aponta alta de 4,4% nos preços do grupo alimentos e bebidas no primeiro quadrimestre, contra 2,1% do índice geral.
Na mesma direção, pesquisa do Dieese mostrou aumento na cesta básica em todas as 16 capitais analisadas nesse período, com maior variação (19,25%) em Fortaleza (Ceará).
| Tuca Vieira/Folha Imagem |
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O levantamento da LatinPanel, que tem ainda produtos de higiene pessoal e limpeza, é feito com mais de 70 categorias, mas não inclui três vilões da inflação nos últimos meses (carne, feijão e arroz). No geral, o volume teve queda de 4%, com destaque para a classe C (5%).
Na comparação entre os últimos três meses de 2007 e de 2006, houve alta de 3%. A expectativa então, afirma Maria Andréa, era a de que o patamar de incremento no consumo fosse mantido no confronto entre os primeiros trimestres, mas houve estabilidade.
A pesquisa de comércio do IBGE, também divulgada nesta semana, não analisa volume nem gasto com produtos específicos --apenas com setores.
Everton Santos, economista da LCA Consultores, alerta que há desaceleração mais forte do crescimento da massa de rendimento na população de renda mais baixa. Na classe C, por exemplo, houve alta de 6,4% no confronto de 2006 com o ano anterior, percentual que caiu para 5,8% em 2007. A projeção para este ano é de que a expansão fique em 4,7%.
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O governo do Sr. Bush é o verdadeiro causador de tudo. Mas ninguem protesta. Quando ele invadiu o Iraque o oleo estava a menos de U$ 30,00 o barril. Depois que viu a crise que ele proprio criou, resolveu apoiar a conversão de milho em alcool, ao inves de buscar uma parceria justa e equilibrada com o Brasil.
Então senhores, analisem independentemente os fatos. O preço do petroleo, o preço dos insumos agricolas como fertilizantes, defensivos e sementes, e a estupidez dos Eua em tornar milho alcool combustivel, não tem influencia alguma na crise mundial de alimentos e economia, mas o Brasil com sua produção racional de alcool sim, somos o grande vilão. Me poupem, e esqueçam a ONU. A ONU é apenas uma serviçal dos interesses americanos. A ONU é apenas uma ilusão, para fazer de conta que o mundo pode resolver com equidade, seus problemas.
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