Dinheiro
17/05/2008 - 11h28

Alta no preço de alimentos reduz consumo, aponta estudo

TATIANA RESENDE
da Folha de S.Paulo

O aumento nos preços dos alimentos começa a afetar o consumo das famílias brasileiras. Pesquisa da LatinPanel, que acompanha 8.200 domicílios, registrou queda de 6% no volume comprado no primeiro trimestre, com destaque para a retração nas classes C, D e E (7%), que têm renda mensal inferior a dez salários mínimos.

Narendra Shrestha /Efe
Reajuste do arroz chega ao consumidor; pão lidera inflação de alimentos, aponta Fipe
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A comparação é com o último trimestre de 2007. Mesmo levando em conta o efeito sazonal das vendas de Natal e Ano Novo, os números chamam a atenção, ressalta Maria Andréa Murat, gerente da LatinPanel.

Entre os produtos com diminuição no volume estão farinha de trigo (16%), café solúvel (8%), pão (7%), açúcar (7%), óleo (6%) e massas (4%). Na cesta de bebidas, a queda foi menor (3%), mas também puxada pelas retrações nas classes C (5%) e D/E (4%).

A inflação medida pelo IPCA aponta alta de 4,4% nos preços do grupo alimentos e bebidas no primeiro quadrimestre, contra 2,1% do índice geral.

Na mesma direção, pesquisa do Dieese mostrou aumento na cesta básica em todas as 16 capitais analisadas nesse período, com maior variação (19,25%) em Fortaleza (Ceará).

Tuca Vieira/Folha Imagem
Alimentos pesam e índice oficial de inflação acelera para 0,55% em abril, diz IBGE
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O levantamento da LatinPanel, que tem ainda produtos de higiene pessoal e limpeza, é feito com mais de 70 categorias, mas não inclui três vilões da inflação nos últimos meses (carne, feijão e arroz). No geral, o volume teve queda de 4%, com destaque para a classe C (5%).

Na comparação entre os últimos três meses de 2007 e de 2006, houve alta de 3%. A expectativa então, afirma Maria Andréa, era a de que o patamar de incremento no consumo fosse mantido no confronto entre os primeiros trimestres, mas houve estabilidade.

A pesquisa de comércio do IBGE, também divulgada nesta semana, não analisa volume nem gasto com produtos específicos --apenas com setores.

Everton Santos, economista da LCA Consultores, alerta que há desaceleração mais forte do crescimento da massa de rendimento na população de renda mais baixa. Na classe C, por exemplo, houve alta de 6,4% no confronto de 2006 com o ano anterior, percentual que caiu para 5,8% em 2007. A projeção para este ano é de que a expansão fique em 4,7%.

Comentários dos leitores
Paulo Correa Alejandro (1) 08/07/2008 19h06
Paulo Correa Alejandro (1) 08/07/2008 19h06
SAO PAULO / SP
Acho muito interessante a folha Online sem opinião
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Eduardo José dos Santos (13) 08/07/2008 11h07
Eduardo José dos Santos (13) 08/07/2008 11h07
É lógico que não há nenhum interesse do G8 mais a Rússia, que os países emergentes façam parte desta cúpula. Para eles é mais fácil esteder uma mão do que as duas, tá na cara que os países pertencentes ao G8 temem em perder recursos c/ a inclusão de algum país emergente neste grupo. É claro que dependemos de outros países, mas isso não quer dizer que somos deles, po isso, deveríamos ter um pouquinho mais de dignidade c/ o nosso povo e olharmos p/ o nosso país, e trabalharmos intensamente tentando sanar problemas como a violência, saúde, educação, em vez de querer aparecer numa reunião que p/ nós não acrescenta absolutamente nada. Vamos trabalhar pra nós!!!!! 1 opinião
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Cristiano Garcia (99) 08/07/2008 10h57
Cristiano Garcia (99) 08/07/2008 10h57
CAMPO GRANDE / MS
Fico pasmo com as noticias da moda. Essa história de que 100 milhoes de pessoas poderão ficar na miseria por conta da escassez de alimentos. Há muitos anos é sabido até das pedras que muito mais de 100 milhoes de irmãos vivem abaixo de zero. E agora vem a midia assediada por interesses não tão ocultos, responsabilizar a produção brasileira de alcool, pela crise de alimentos. Os numeros mentem, e a midia às vezes se presta não para uma analise justa e imparcial daquilo que é fato. Mas vemos a midia dos paises desenvolvidos apenas ecoando serviçalmente, as mentiras deslavadas que que interessam aos verdadeiros predadores do planeta.
O governo do Sr. Bush é o verdadeiro causador de tudo. Mas ninguem protesta. Quando ele invadiu o Iraque o oleo estava a menos de U$ 30,00 o barril. Depois que viu a crise que ele proprio criou, resolveu apoiar a conversão de milho em alcool, ao inves de buscar uma parceria justa e equilibrada com o Brasil.
Então senhores, analisem independentemente os fatos. O preço do petroleo, o preço dos insumos agricolas como fertilizantes, defensivos e sementes, e a estupidez dos Eua em tornar milho alcool combustivel, não tem influencia alguma na crise mundial de alimentos e economia, mas o Brasil com sua produção racional de alcool sim, somos o grande vilão. Me poupem, e esqueçam a ONU. A ONU é apenas uma serviçal dos interesses americanos. A ONU é apenas uma ilusão, para fazer de conta que o mundo pode resolver com equidade, seus problemas.
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