Dinheiro
19/05/2008 - 09h53

Fazenda e BC divergem sobre inflação

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da Folha Online

A partir do mesmo índice de preços, o IPCA, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, retiram o impacto da alta dos alimentos e vêem uma inflação completamente diferente, segundo reportagem da Folha (íntegra do texto exclusiva para assinantes do jornal e do UOL) desta segunda-feira. Com isso, traçam cenários opostos.

Para Mantega, excluindo-se a alta do feijão --que nesse caso representa o grupo alimentação e bebidas--, chega-se a uma inflação de 3,03% nos últimos 12 meses. Desta forma, o ministro argumenta que a pressão atual vem de um choque de oferta, puxado pelo comportamento dos preços no exterior, e não de um consumo excessivo no país.

Meirelles, por exemplo, exclui alimentos e preços administrados do IPCA e chega a uma inflação acumulada nos últimos 12 meses de 4,67%. O presidente do BC prefere, porém, projetar a inflação no futuro (excluindo alimentos e preços administrados como energia e telefonia), o que dá 6,10% anualizados.

O número dá fôlego à defesa dele da atuação do Copom (Comitê de Política Monetária), que, em abril, iniciou um ciclo de alta das taxas de juros de tamanho e duração indefinidos, o que tem gerado apreensões e instabilidade no mercado financeiro.

Mercado

Segundo o relatório Focus, uma pesquisa semanal do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, o mercado já trabalha com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acima de 5%.

Para os analistas de mercado, o IPCA deve fechar o ano a 5,12%, acima dos 4,96% esperados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%. Para 2009, a previsão do IPCA passou de 4,47% para 4,50%.

 

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