Consórcio de Suez e Camargo Corrêa surpreende e vence leilão de Jirau
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O consórcio liderado pelas empresas Suez e Camargo Corrêa venceu nesta segunda-feira o leilão da usina de Jirau, no rio Madeira. O grupo ofereceu R$ 71,40/MWh, valor 21,54% inferior ao preço máximo, que era de R$ 91/MWh. O leilão durou sete minutos e foi encerrado com um lance único. Pelas regras do leilão, a disputa acabaria se, nesta fase, um consórcio oferecesse valor 5% menor do que a oferta do concorrente.
O resultado contrariou as previsões, já que o outro grupo, liderado por Odebrecht e Furnas, era considerado favorito por ter arrematado no ano passado a usina de Santo Antônio, também no rio Madeira. Além de ter ganhos de escala com a construção das duas usinas, o grupo foi o responsável pelos estudos de viabilidade da obra e conheciam melhor o projeto.
O grupo informou que venderá 30% do total gerado --o valor máximo permitido-- para o mercado livre (grandes indústrias, shopping, etc, que compram energia diretamente da usina). Com isso, o preço final para as distribuidoras fica em R$ 71,37 por MWh. Pelo cálculo, quanto maior a quantidade vendida ao mercado livre, menor o preço para a distribuidora.
Suez e Camargo Corrêa integram o consórcio Energia Sustentável do Brasil --Suez Energy (50,1%), Camargo Corrêa Investimentos em Infra-Estrutura (9,9%), Eletrosul Centrais Elétricas (20%) e Chesf (20%). Eles venceram o grupo Jirau Energia-- com Furnas Centrais Elétricas (39%), Odebrecht Investimentos em Infra-Estrutura (17,6%), Construtora Norberto Odebrecht (1%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Cemig Geração e Transmissão (10%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia II, formado pelos bancos Banif e Santander, (20%).
No leilão de Santo Antônio, o segundo grupo ofereceu R$ 78,90, valor 35% menor do que o teto.
A usina de Jirau é considerada prioritária pelo governo e faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra terá capacidade para gerar 3.300 MW e entrará em funcionamento a partir de 2013, com custo previsto de R$ 8,7 bilhões. No total, a obra terá 44 turbinas, suficientes para abastecer 9,8 milhões de casas mensalmente. A usina está localizada a 135 quilômetros de Porto Velho e deverá gerar 13 mil empregos diretos e 50 mil empregos indiretos.
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