Brasil "nunca mais" terá problemas de energia, diz Lobão
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) comemorou o resultado do leilão de Jirau, no rio Madeira, que teve deságio de 21,54%. Para o ministro, a tendência é manter os preços baixos nas próximas licitações de usinas. Ele disse ainda que o Brasil "nunca mais" terá problemas com o abastecimento de energia.
'A usina de Belo Monte (PA) será leiloada no próximo ano e nós teremos uma redução [de preços] ainda mais acentuada. Não teremos mais dificuldades de energia elétrica nesse país nem agora, nem amanhã, nem nunca mais", afirmou.
Lobão disse ainda que o governo está empenhado para que a concessão das licenças de instalação tanto de Jirau quanto de Santo Antônio --primeira usina do Madeira licitada, em dezembro do ano passado-- sejam concedidas pelo Ibama rapidamente.
O ministro adiantou que o sistema Eletrobrás deverá participar de todos os leilões de usinas hidrelétricas importantes para garantir preços mais baixos para a energia.
"O grande vencedor é o consumidor brasileiro", completou.
O ministro lembrou ainda que a construção da usina trará desenvolvimento para o Estado de Rondônia. As duas usinas do Complexo do Madeira pagarão cerca de R$ 70 milhões por ano de royalties para a região.
"Haverá uma verdadeira transformação no Estado", disse.
Leilão
O consórcio liderado pelas empresas Suez e Camargo Corrêa venceu nesta segunda-feira o leilão da usina de Jirau, no rio Madeira. O grupo ofereceu R$ 71,40/MWh, valor 21,54% inferior ao preço máximo, que era de R$ 91/MWh. O leilão durou sete minutos e foi encerrado com um lance único.
O grupo informou que venderá 30% do total gerado --o valor máximo permitido-- para o mercado livre (grandes indústrias, shopping, etc, que compram energia diretamente da usina). Com isso, o preço final para as distribuidoras fica em R$ 71,37 por MWh. Pelo cálculo, quanto maior a quantidade vendida ao mercado livre, menor o preço para a distribuidora.
Suez e Camargo Corrêa integram o consórcio Energia Sustentável do Brasil --Suez Energy (50,1%), Camargo Corrêa Investimentos em Infra-Estrutura (9,9%), Eletrosul Centrais Elétricas (20%) e Chesf (20%).
Eles venceram o grupo Jirau Energia-- com Furnas Centrais Elétricas (39%), Odebrecht Investimentos em Infra-Estrutura (17,6%), Construtora Norberto Odebrecht (1%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Cemig Geração e Transmissão (10%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia II, formado pelos bancos Banif e Santander, (20%).
No leilão de Santo Antônio, o grupo com Odebrecht ofereceu R$ 78,90, valor 35% menor do que o teto.
A usina de Jirau é considerada prioritária pelo governo e faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra terá capacidade para gerar 3.300 MW e entrará em funcionamento a partir de 2013, com custo previsto de R$ 8,7 bilhões.
No total, a obra terá 44 turbinas, suficientes para abastecer 9,8 milhões de casas mensalmente. A usina está localizada a 135 quilômetros de Porto Velho e deverá gerar 13 mil empregos diretos e 50 mil empregos indiretos.
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