Dinheiro
19/05/2008 - 22h58

Criação do fundo soberano é criticada por idealizadores do Plano Real

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A criação do Fundo Soberano despertou críticas entre os economistas envolvidos com a implementação do Plano Real, iniciada em 1993, quando Fernando Henrique Cardoso era ministro. O fundo, anunciado pelo governo federal neste mês, é feito com o excedente de reservas internacionais, aplicadas no exterior.

Segundo o governo, o fundo terá como objetivo garantir uma poupança contra crises, apoiar empresas no exterior e retirar dólares de dentro do país para impedir uma desvalorização maior da moeda norte-americana.

Pedro Malan, que foi ministro da Fazenda na gestão do então presidente FHC, afirmou que "a experiência mostra que o fundo soberano existe em países que têm superávit no balanço de pagamentos em conta corrente, o que não é o caso do Brasil. Não estamos em momento propício para isso".

Para o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco (1997-1999) a criação o fundo soberano "um equívoco absoluto que me lembra diversos tipos de feitiçaria que, no passado se quis fazer com as reservas internacionais, confundindo a existência dessas reservas em excesso com a idéia de que tem dinheiro sobrando."

O ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Edmar Bacha afirmou que a criação do fundo soberano é uma "má idéia". "Não temos dinheiro para fazer um fundo soberano, ao contrário de países asiáticos que têm recurso de sobra e aplicam os excessos no fundo soberano. Aqui vamos nos endividar mais para aplicar no fundo que vai render menos do que vai custar a dívida com o qual o fundo vai ser comprado", afirmou.

Os três também criticaram qualquer possibilidade de retomar a CPMF ou imposto similar: "A CPMF já completou o seu ciclo, já está encerrada. Acho que é uma má idéia resgatá-la", afirmou Franco.

O economistas participaram nesta segunda-feira de evento na Câmara do Rio de Janeiro, onde receberam a medalha Pedro Ernesto, condecoração máxima do legislativo carioca, em função dos 15 anos da criação do Plano Real.

 

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