Dinheiro
20/05/2008 - 16h10

Petróleo fecha em recorde de US$ 129 com preocupação sobre oferta

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da Folha Online

A cotação do barril de petróleo em Nova York encerrou a sessão desta terça-feira em nível recorde, acima dos US$ 129, barreira superada pela primeira vez hoje. O preço foi pressionado pela desvalorização do dólar, que continua na raiz da alta do preço da commodity, e o temor acerca do descompasso entre oferta e demanda.

O barril para entrega em junho (cujos contratos expiraram hoje, um dos motivos que pressionaram a alta) terminou cotado a US$ 129,07, alta de US$ 2, na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York) --o valor máximo atingido hoje, durante o pregão, foi de horário foi US$ 129,60.O barril para entrega em julho (próximo contrato de referência) encerrou cotado a US$ 128,98, alta de US$ 2,18.

O petróleo Brent, referencial na Europa, também bateu hoje um novo recorde no mercado de futuros de Londres, ao atingir US$ 128,07 por barril, valor US$ 3,01 mais caro que no fechamento de segunda-feira, mas encerrou na casa dos US$ 127.

David Zalubowski/AP
Poço de petróleo nos EUA; barril teve alta e superou os US$ 129 em Nova York
Poço de petróleo nos EUA; barril teve alta e superou os US$ 129 em Nova York

Coincidentemente, o petróleo beirou os US$ 130 no mesmo dia em que o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o PPI (Índice de Preços ao Produtor, na sigla em inglês) subiu 0,2% em abril, contra um avanço de 1,1% em março. O núcleo dos preços (que exclui as categorias de alimentos e energia), no entanto, teve alta de 0,4% --o dobro do previsto pelos analistas.

A escalada de alta do petróleo é vista, especialmente, como conseqüência da insegurança gerada entre os investidores sobre a provisão a partir de países produtores. Teme-se que eles não consigam fazer frente à demanda, especialmente da China, que em plena contagem regressiva para os Jogos Olímpicos, aumentou seu consumo energético interno.

Jim Ritterbusch, presidente do setor de negociação de petróleo da Ritterbusch & Associates, disse à Associated Press que a alta dos preços é baseada na forte demanda, principalmente da Ásia, e no enfraquecimento do dólar frente ao euro, o que faz a commodity ficar "mais barata" e atrair mais investidores.

O analista Edward Meir, da MF Global, disse à agência de notícias Reuters que uma ligeira desaceleração na demanda por petróleo nos EUA está sendo ofuscada pela disparada na procura pela commodity nos países asiáticos. "Tudo isso sugere que o quadro do mercado petrolífero deve permanecer em grande parte inalterado", disse.

Ontem, o presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chabik Khelil, considerou improvável um aumento de produção pelos países-membros na reunião regular do grupo em setembro. "Não penso que haverá uma decisão [da Opep] de elevar sua produção", disse.

Ele considerou ainda apenas simbólico o aumento de 300 mil barris diários efetuado pela Arábia Saudita na sexta-feira (16).

O governo saudita decidiu atender pedidos de clientes e elevar sua produção. "Devido a pedidos de 50 de nossos clientes, em sua maioria dos EUA, aumentamos nossa produção em 300 mil barris, com o que a produção do reino será em junho próximo de 9,45 milhões de barris diários", disse o ministro do Petróleo saudita, Ali bin Ibrahim al Naimi.

Soma-se a isso confrontos entre grupos armados e forças de segurança e sabotagens que vêm prejudicando a produção petrolífera da Nigéria, um dos principais produtores do mundo, o que preocupa o atendimento da demanda pelo óleo.

Por fim, os investidores também consideram a previsão do investidor americano T. Boone Pickens, de que o petróleo sairá a US$ 150 o barril ainda neste ano. O banco norte-americano Goldman Sachs estima que o barril de petróleo atinja o preço de US$ 141 no segundo semestre deste ano.

Comentários dos leitores
Louis Fod (292) 06/11/2009 11h43
Louis Fod (292) 06/11/2009 11h43
Pre-sal é pre-eleitoral, masi uma propaganda enganosa.
Somente a nossa gasolina e o nosso jet fuel são de baixa qualidade. A gasolina tem muito álcool e tem muito enxofre. A querosene muito enxofre. Adulteram mais a gasolina do que o álcool... muito dessa percepção vem da capital de SP, solvente é adicionado. Enxofre reage com vapor de água e forma acido sulfúrico. O solvente degrada a borracha e forma acumulo nas velas de ignição... ou bicos injetores.
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O Pacificador (44) 06/11/2009 10h36
O Pacificador (44) 06/11/2009 10h36
"Brasil não sucumbirá à "maldição do petróleo", diz Lula..."
Nesse ponto, concordo com ele.
O Brasil, não chegará a este ponto...
Antes disso, se nada for feito, o Brasil sucumbirá á corrupção, e aos políticos inúteis que dia a dia acabam com todos os patrimônios nacionais.
Portanto, temos antes outras "maldições" maiores para nos preocuparmos.
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Carlos Pereira (2) 06/11/2009 08h10
Carlos Pereira (2) 06/11/2009 08h10
FALSO PARADIGMA! O modelo desenvolvimentista decadente e insustentável dos motores à explosão são uma herança do século 19 (1824), não faltam novas tecnologias. O que falta é uma revolução / transformação da sociedade que está direcionada por muitos falsos paradigmas, mentiras mesmo!, que são utilizadas para manipular a grande massa da população em benefício de uma minoria que detém a riqueza e esconde tecnologias, evita o progresso de projetos enriquecedores para a humanidade. Tudo por dinheiro!
A questão é : vamos detonar tudo por dinheiro?
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