Lula critica posição de petrolíferas sobre biocombustíveis
da Efe, em Brasília
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta terça-feira (20) o posicionamento das petrolíferas em relação aos biocombustíveis, em mensagem ao Ecosoc (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas), reunido de maneira extraordinária em Nova York para discutir sobre a crise alimentícia.
Em mensagem dirigida ao presidente do Ecosoc e representante permanente do Haiti, o embaixador Léo Merores, Lula voltou a questionar a posição das multinacionais petrolíferas sobre os biocombustíveis.
"É necessário desmascarar as campanhas movidas pelo protecionismo comercial e pelos interesses de grupos petroleiros, que tentam demonizar a produção de biocombustíveis", afirmou Lula no comunicado divulgado pela Presidência.
Para o presidente, as petrolíferas atribuem aos biocombustíveis "a culpa pelo encarecimento dos alimentos e pelo aquecimento global e desconhecem, com isso, a bem-sucedida experiência brasileira com o etanol".
Lula convidou governantes e cientistas para a Conferência Internacional dos Biocombustíveis, que será realizada em novembro deste ano em São Paulo.
O governante insistiu em que o combustível renovável é uma alternativa de desenvolvimento para os países pobres e negou que o Brasil tenha a intenção de impor seu modelo sobre os outros, pois "cada país tem sua realidade".
"Os modelos adotados de forma crítica podem ajudar a resgatar países da insegurança alimentícia e energética", afirmou Lula, que voltou a defender que a alta do petróleo, os subsídios à produção e a mudança nos hábitos alimentícios são responsáveis pela escassez e alta no preço dos alimentos.
Interesses
Na semana passada, Lula afirmou que há uma disputa comercial por trás da recusa aos biocombustíveis. "Obviamente que as petrolíferas estão por trás disso e que os países não querem mudar suas matrizes", disse antes da 5ª Cúpula de presidentes da América Latina, Caribe e União Européia.
"Se nao tivéssemos encontrado a camada pré-sal eles iriam dizer que o Brasil estava fazendo isso [produzindo biocombustível] por que não tinha petróleo. Agora, temos muito petróleo e queremos produzir muito biodiesel e levar tecnologia para outros países", defendeu.
Para o presidente, é preciso estar preparado porque o debate sobre os biocombustíveis está apenas começando.
Na segunda-feira (12), o presidente Lula "convocou" todos os brasileiros para o que classificou de uma "batalha" contra lobbys em países desenvolvidos que são desfavoráveis aos biocombustíveis. Para Lula, esses lobbys, por mais poderosos que sejam, não serão capazes de deter a produção desses derivados.
"Trata-se de uma extraordinária oportunidade. Mas para aproveitá-la, precisamos nos preparar. Temos de enfrentar preconceitos arraigados e lobbys poderosíssimos nos países desenvolvidos. Eles só serão vencidos com o intenso debate público, com a crescente organização dos mercados e com estímulo à participação de outras economias em desenvolvimento", disse, durante lançamento da nova política industrial.
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