Dinheiro
21/05/2008 - 01h36

Lula critica posição de petrolíferas sobre biocombustíveis

Publicidade

da Efe, em Brasília
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta terça-feira (20) o posicionamento das petrolíferas em relação aos biocombustíveis, em mensagem ao Ecosoc (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas), reunido de maneira extraordinária em Nova York para discutir sobre a crise alimentícia.

Em mensagem dirigida ao presidente do Ecosoc e representante permanente do Haiti, o embaixador Léo Merores, Lula voltou a questionar a posição das multinacionais petrolíferas sobre os biocombustíveis.

"É necessário desmascarar as campanhas movidas pelo protecionismo comercial e pelos interesses de grupos petroleiros, que tentam demonizar a produção de biocombustíveis", afirmou Lula no comunicado divulgado pela Presidência.

Para o presidente, as petrolíferas atribuem aos biocombustíveis "a culpa pelo encarecimento dos alimentos e pelo aquecimento global e desconhecem, com isso, a bem-sucedida experiência brasileira com o etanol".

Lula convidou governantes e cientistas para a Conferência Internacional dos Biocombustíveis, que será realizada em novembro deste ano em São Paulo.

O governante insistiu em que o combustível renovável é uma alternativa de desenvolvimento para os países pobres e negou que o Brasil tenha a intenção de impor seu modelo sobre os outros, pois "cada país tem sua realidade".

"Os modelos adotados de forma crítica podem ajudar a resgatar países da insegurança alimentícia e energética", afirmou Lula, que voltou a defender que a alta do petróleo, os subsídios à produção e a mudança nos hábitos alimentícios são responsáveis pela escassez e alta no preço dos alimentos.

Interesses

Na semana passada, Lula afirmou que há uma disputa comercial por trás da recusa aos biocombustíveis. "Obviamente que as petrolíferas estão por trás disso e que os países não querem mudar suas matrizes", disse antes da 5ª Cúpula de presidentes da América Latina, Caribe e União Européia.

"Se nao tivéssemos encontrado a camada pré-sal eles iriam dizer que o Brasil estava fazendo isso [produzindo biocombustível] por que não tinha petróleo. Agora, temos muito petróleo e queremos produzir muito biodiesel e levar tecnologia para outros países", defendeu.

Para o presidente, é preciso estar preparado porque o debate sobre os biocombustíveis está apenas começando.

Na segunda-feira (12), o presidente Lula "convocou" todos os brasileiros para o que classificou de uma "batalha" contra lobbys em países desenvolvidos que são desfavoráveis aos biocombustíveis. Para Lula, esses lobbys, por mais poderosos que sejam, não serão capazes de deter a produção desses derivados.

"Trata-se de uma extraordinária oportunidade. Mas para aproveitá-la, precisamos nos preparar. Temos de enfrentar preconceitos arraigados e lobbys poderosíssimos nos países desenvolvidos. Eles só serão vencidos com o intenso debate público, com a crescente organização dos mercados e com estímulo à participação de outras economias em desenvolvimento", disse, durante lançamento da nova política industrial.

Comentários dos leitores
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Sebastião Vicentim (45) 16/11/2009 16h18
Muito alarido, pelo diretor da FAO. ele está fazendo o seu papel. Agora... previsão para 2050 (daqui 40 anos). Será que esse diretor ou os especialistas se lembram do que seria necessário fazer, em 1968 em relação à fome no mundo? Em 40 anos, quais países ainda serão emergentes? É realmente problema de vontade política e de se ensinar e dar condições de "pescar" e não de dar o peixe já frito a esse segmento faminto da sociedade. Soluções estão à mostra a todo momento e para todo mundo. Uma delas é a transferência de tecnologia. Com tanta boa vontade que notamos em nossos líderes mundiais, não seria difícil um consórcio onde se ensinaria e proveria de boa infra-estrutura, de forma eficiente e eficaz, o cultivo, a produção, consumo de alimentos, erradicando a fome no mundo. Medidas nesses moldes não são para 2040, 2050 e sim pra já. A FAO deveria atuar em idéias semelhantes, em reunir nações realmente empenhadas em ajudar o povo faminto desse planeta e não em fazer considerações do que esse ou aquele País deve fazer. sem opinião
avalie fechar
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
O Pacificador (135) 16/11/2009 13h40
"Países emergentes precisam dobrar produção de alimentos até 2050..."
Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
4 opiniões
avalie fechar
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Cleverson Castilho Menon (5) 16/11/2009 12h16
Os paises ricos são uma piada mesmo. Enquanto eles destroem a Terra, querem que os paises emergentes alimentem aqueles que os ricos destroem. Devem os emergentes ajudar os pobres sim... mas os ricos deveriam e vão morrer de fome um dia. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (199)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca