Inflação acirra disputa entre Mantega e Meirelles
da Folha Online
A ameaça de recrudescimento da inflação acirrou a disputa entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles, pelos rumos da política econômica, informou Kennedy Alencar na edição de hoje da Folha. A reportagem completa está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL.
Por um lado, Meirelles diz em conversas reservadas que Mantega é um ministro mais fraco do que seu antecessor, Antonio Palocci Filho, e que por isso não consegue convencer Lula a fazer um controle dos gastos públicos mais austero. Já Mantega afirma que Meirelles e seus companheiros do BC perderam oportunidades em períodos de bonança internacional para reduzir os juros e que agora, num momento de crise mundial, o Brasil eleva a taxa básica (Selic) --já a mais alta do planeta em termos reais.
A alta da inflação faz com que a relação entre os dois, que nunca foi boa, passe pelo seu pior momento agora. Também disputas pessoais recentes entre Mantega e Meirelles, como o concurso que travaram pela paternidade do grau de investimento. Nessa disputa, Lula tomou o partido de Meirelles. O presidente avalia que Mantega tentou atropelar o Banco Central.
Cenários diferentes
Uma amostra de como Mantega e Meirelles enxergam o risco da inflação de forma diferente foi dada no início da semana, quando comentaram o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril.
Para Mantega, excluindo-se a alta do feijão --que nesse caso representa o grupo alimentação e bebidas--, chega-se a uma inflação de 3,03% nos últimos 12 meses. Desta forma, o ministro argumenta que a pressão atual vem de um choque de oferta, puxado pelo comportamento dos preços no exterior, e não de um consumo excessivo no país.
Meirelles, por exemplo, exclui alimentos e preços administrados do IPCA e chega a uma inflação acumulada nos últimos 12 meses de 4,67%. O presidente do BC prefere, porém, projetar a inflação no futuro (excluindo alimentos e preços administrados como energia e telefonia), o que dá 6,10% anualizados.
O número dá fôlego à defesa dele da atuação do Copom (Comitê de Política Monetária), que, em abril, iniciou um ciclo de alta das taxas de juros de tamanho e duração indefinidos, o que tem gerado apreensões e instabilidade no mercado financeiro.
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