Disparada dos preços do petróleo ameaça crescimento mundial
da France Presse, em Washington
A disparada dos preços do petróleo constitui uma séria ameaça para o crescimento mundial, advertem os analistas, expressando a esperança de que o aumento seja contido rapidamente. O preço do petróleo chegou a US$ 135 dólares nesta quinta-feira, mas fechou em US$ 130,81.
As conseqüências desta disparada são sofridas nos quatro cantos do mundo: a Indonésia anunciou que aumentará em 28% o preço dos combustíveis, os marinheiros franceses entraram em greve para protestar contra a disparada do preço da gasolina e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) está preocupada com este "desafio crucial" para o crescimento da região.
Desde setembro, os preços aumentaram cerca de US$ 50, e para alguns especialistas eles vão subir ainda mais. No início de maio, os analistas do banco Goldman Sachs não descartavam um barril a US$ 200 daqui a seis meses ou dois anos.
Este cenário "evidentemente afetaria o crescimento econômico mundial", afirmou o economista independente Ed Yardeni.
"Uma desaceleração mundial provocada por uma recessão longa e profunda nos Estados Unidos seria o resultado mais provável", acrescentou.
Abalados pela crise do setor imobiliário, os Estados Unidos têm atualmente uma saúde econômica frágil e contam muito com o plano de recuperação orçamentária para sustentar o consumo. No entanto, a alta dos preços dos combustíveis pode comprometer este cenário, se a maior parte das reduções de impostos for para os postos de gasolina.
A disparada dos preços "afeta uma economia mundial que está muito mais vulnerável" agora do que na época dos precedentes choques petroleiros devido à "recessão suave" nos Estados Unidos, comentou Ethan Harris, do Lehman Brothers.
"Em um contexto em que o consumidor americano está em perda de velocidade rápida e em que o pouco crédito ainda fará sentir seus efeitos, a economia mundial pode se preparar para sofrer novos danos colaterais. A Europa já está sofrendo, e o crescimento da Ásia já é menor", acrescentou.
De acordo com Harris, qualquer aumento de US$ 10 do barril de petróleo tira o equivalente a 0,4 ponto do crescimento americano, e um pouco menos na Europa e na Ásia.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quinta-feira que "apesar do aumento dos preços do petróleo", suas previsões de crescimento mundiais "permanecem, por enquanto, inalteradas". O FMI vai atualizar suas previsões em julho, destacou David Hawley, porta-voz da instituição.
O caráter especulativo da demanda petroleira leva os analistas a pensarem que a economia mundial ainda vai sofrer.
"Os corretores vão sem dúvida empurrar para o alto o preço das matérias-primas, até o ponto em que o crescimento mundial não somente perderá força, como também acabará", sustentou Myles Zyblock, do banco RBC.
Um dos riscos é que a disparada dos preços provoque um aumento da inflação, obrigando os bancos centrais a elevarem suas taxas diretrizes, explicou.
Alguns analistas consideram, no entanto, que esta disparada dos preços do petróleo não vai durar.
"Um aumento dos preços do petróleo que levaria a economia mundial à recessão e diminuiria a demanda cavaria a própria cova", afirmou Harris.
Para Randall, o preço do barril poderá chegar a US$ 150 daqui ao fim do ano, mas cairá logo em seguida. "O preço editado pelos fundamentais é mais próximo de 100 dólares", frisou.
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