América do Sul está disposta a ajudar contra a crise dos alimentos, diz Lula
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em discurso na cúpula da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que a América do Sul está disposta a encontrar soluções para a crise alimentícia mundial, mas desde que tenha autonomia para agir de forma "soberana" na região.
Lula disse que os que se sentem "incomodados" com o crescimento da indústria e da agricultura sul-americanas e brasileiras muitas vezes são movidos por interesses "protecionistas".
"Quando a escassez de alimentos ameaça a paz social, em muitas partes do mundo, é em nossa região que muitos vêm buscar respostas. Temos consciência das nossas responsabilidades globais, mas não abrimos mãos de exercê-las de forma totalmente soberana. Não nos deixamos iludir tampouco pelos argumentos daqueles que, por interesses protecionistas ou motivações geopolíticas, se sentem incomodados com o crescimento de nossa indústria e agricultura", afirmou.
Na opinião de Lula, a "América do Sul unida mexerá com o tabuleiro do poder no mundo, não em benefício próprio, mas de todos."
Durante a reunião da cúpula, doze chefes de Estado da América do Sul assinaram o tratado de criação da Unasul. O tratado confere ao bloco de países personalidade jurídica, no formato de organização internacional.
Lula afirmou que a União das Nações Sul-Americanas poderá fortalecer os países da região frente às nações desenvolvidas. "Estamos transformando em realidade o sonho integrador dos nossos libertadores. O tratado nos lembra que a integração sul-americana é essencial para o fortalecimento da América Latina e Caribe. Nasce sobre o signo do pluralismo", disse.
Defesa
No discurso dirigido aos chefes de Estado da América do Sul, Lula defendeu a criação de um Conselho de Defesa da Unasul. Apesar da resistência colombiana à proposta, Lula disse que consultou os países que integram a comunidade para que a medida seja discutida durante a reunião de cúpula.
"É hora de fortalecer nosso continente na área da defesa. Devemos articular uma visão de defesa na região fundada em valores e princípios comuns, como o respeito à soberania. Por isso, determinei ao meu ministro da Defesa para que realizasse consulta com todos os países da América do Sul sobre o conselho sul-americano de Defesa. Creio que devemos discutir essa iniciativa aqui", defendeu.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, argumentou que a região já conta com a OEA (Organização dos Estados Americanos) e aludiu às divergências com países vizinhos, entre os quais o Brasil e a Venezuela, em torno da classificação de grupos armados ilegais como "terroristas", principalmente as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Leia mais
- Lula critica posição de petrolíferas sobre biocombustíveis
- Inflação é a pior desgraça para o trabalhador, afirma Lula
- OMS aponta três ameaças globais: alimentação, aquecimento e vírus H5N1
- UE pede reforma para potencializar oferta de alimentos
Livraria da Folha
- Entenda transgênicos, doenças em animais, agrotóxicos e outras questões sobre alimentos
- Conheça fontes de energia renovável, como biocombustíveis, em livro da série "Mais Ciência"
Especial


