BC prevê déficit menor nas transações com o exterior nos próximos meses
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A conta que mede as principais operações do Brasil com o exterior devem registrar uma melhora nos próximos meses, apesar do resultado negativo verificado até abril deste ano.
Segundo dados do Banco Central, as transações correntes registraram déficit de US$ 3,3 bilhões no mês passado, acumulando um resultado negativo de US$ 14,07 bilhões no quadrimestre, o maior da série histórica, iniciada em 1947. Nos últimos 12 meses, o déficit soma US$ 14,66 bilhões, o equivalente a 1,08% do PIB. O valor nesses quatro meses já supera a projeção para o ano, de US$ 12 bilhões.
O BC espera, no entanto, uma redução no déficit a partir de maio, quando o resultado deve ficar negativo em US$ 1,5 bilhão.
"O resultado de transações correntes no quadrimestre é o mais elevado em toda da série do BC, que começa em 1947. Mas a expectativa é que esse déficit comece a arrefecer em maio", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Segundo Altamir, a previsão do BC é que o resultado no ano fique próximo de 1% do PIB, o que seria perfeitamente financiável pela entrada de investimentos estrangeiros, que bateram recorde no mês e no ano.
"Não é preocupante [o déficit]. No passado havia uma remessa muito grande de juros. Hoje é uma situação mais confortável", diz, se referindo ao envio de lucros das empresas para o exterior.
Remessas de lucros
A conta de transações correntes é formada pelo superávit da balança comercial (US$ 1,744 bilhão em abril), pelas transferências unilaterais (US$ 276 milhões) e pelos serviços e rendas (-US$ 5,33 bilhões). Esse último item inclui os pagamentos de juros, remessas de lucros e dividendos e gastos de turistas no exterior, entre outros fatores.
Altamir prevê, por exemplo, uma redução nas remessas de lucros, que vem sendo puxadas, principalmente, por montadoras e bancos que enfrentam dificuldades no exterior.
"Houve um crescimento expressivo de remessas de lucros e dividendos. E mesmo as remessas tendem a se estabilizar ou até a cair, porque você tem o reinvestimento feito por essas empresas", afirmou.
Dentro dos serviços e rendas, pesou o aumento das remessas de lucros e dividendos para o exterior, que somaram US$ 3,7 bilhões em abril. Já os gastos de turistas brasileiros no exterior somaram US$ 1,43 bilhão no quadrimestre. No ano passado, estava em US$ 433 milhões.
O chefe do Departamento Econômico do BC também estima que haverá uma normalização no fluxo da balança comercial, o que também teria prejudicado o resultado das transações correntes.
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