Publicidade

Dinheiro
26/05/2008 - 12h46

Crédito movimentado por cartões cresce 50% e supera R$ 53 bi

Publicidade

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

Atualizada ás 15h10

O volume de recursos movimentado por intermédio de cartões cresceu 50% até março de 2008, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nesta segunda pela Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). O saldo alcançou a marca de R$ 53,3 bilhões, contra R$ 35,7 bilhões de saldo registrado ao final de março de 2007 --ao final de março de 2006, o estoque somava R$ 27,9 bilhões.

O presidente da entidade, Felix Cardamone, afirmou que a ampliação do estoque de crédito beneficia principalmente os consumidores que parcelam as compras sem juros.

A pesquisa da Abecs aponta que a participação da compra parcelada sem juros cresceu 10 pontos percentuais nos últimos dois anos, passando de 55% das operações, em 2006, para 65% neste ano. Os 35% restantes são divididos entre a modalidade rotativa e o parcelado com juros.

Um dos motivos do forte crescimento de movimentação de recursos via cartão nos últimos anos é queda do uso de cheques --soma-se a isso a facilidade de uso do plástico e da ampliação dos pontos que aceitam a forma de pagamento, já que o risco de inadimplência é menor.

Mas se os recursos movimentados sobem, as dívidas também crescem, mesmo que de forma menos intensa.

Segundo pesquisa da Serasa de abril, as dívidas com os bancos lideraram a representatividade da inadimplência nos primeiros quatro meses deste ano, com participação de 43,1% (ante 37,1% no ano passado), seguidas por dívidas com cartões de crédito e financeiras (31,5% de participação, ante 31,3% entre janeiro e abril de 2007). Os cheques devolvidos ficam em quarto lugar (23,1%, contra 28,9% no ano passado).

Em valores, as dívidas que mais cresceram foram justamente com cartões de crédito e financeiras --média de R$ 433,62, alta de 25,4% em relação ao período entre janeiro e abril do ano passado. Em seguida aparecem as dívidas com os bancos, que tiveram valor médio de R$ 1.365,92, alta de 7,1% sobre 2007.

Maria Inês Dolci, da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), destaca que o uso do cartão de crédito vale à pena "se for para pagar na data do vencimento". "Aí tudo bem, mas não indicaria a não ser em emergência.Tem que pesquisar a data [de vencimento] na administradora e comparar [as tarifas] antes de sair só pagando o valor mínimo da fatura", aconselha.

Pesquisa

A pesquisa da Abecs divulgada hoje apontou ainda que, no acumulado deste ano até abril, a indústria de cartões registrou faturamento de R$ 114 bilhões. O valor é 25% mais alto que o registrado em 2007, quando a indústria obteve faturamento de R$ 91,5 bilhões.

O estudo indicou também que a taxa de juros dos cartões de crédito registrou média de 8,2% na modalidade parcelada dos cartões domésticos e de 7,2% no parcelado internacional. Já entre os rotativos, a taxa média do uso doméstico foi de 10,9%, e no internacional foi de 9,6%.

De acordo com outra pesquisa, da Itaucard, o Brasil deve bater a marca de 100 milhões de cartões em circulação entre junho e julho. Ao final de maio, o volume será de 98,6 milhões, alta de 16,2% na comparação com maio de 2007 (84,8 milhões).

A Itaucard também apontou que a participação dos cartões de crédito no consumo privado do Brasil vai registrar, em 2008, quase o triplo do volume que marcava dez anos antes. Segundo a pesquisa, os cartões respondiam por 5,7% do consumo privado (valor do PIB menos investimentos e gastos do governo) do país em 1998. Em 2008, esse índice deve chagar a 15,7%. Em 2007, a participação alcançou 14,4%.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca