Lula diz que não quer ser um "sheik do petróleo"
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que não quer ser um "sheik do petróleo", e que a Petrobras não pode servir apenas como exportadora.
Em lançamento de um programa da Petrobras para a compra de 146 novos navios, a custo de US$ 5 bilhões, Lula defendeu que o crescimento da estatal gere, principalmente, investimentos para a população brasileira.
"A Petrobras não pode existir apenas para ser a sexta maior empresa do mundo e terceira das Américas. Ela existe também para ser a alavancadora do desenvolvimento desse país e criadoras de oportunidade para outros setores da sociedade. Não quero que a Petrobras, porque descobriu o pré-sal, vire apenas uma grande exportadora de petróleo. Não quero que o presidente da República do Brasil coloque aquele pano na cabeça como se fosse o sheik do petróleo. Quero que a gente aproveite o petróleo para industrializar o país. O Brasil não vai jogar fora essa oportunidade", afirmou o presidente durante o lançamento do plano da Petrobras, no início desta tarde em Niterói, no Rio.
Em discurso de cerca de 20 minutos, Lula chamou de "imbecilidade" o pensamento de que é melhor comprar no exterior navios a produzi-los no Brasil. Admitiu, contudo, que a importação desses navios é "um pouquinho mais barato".
"Eu ouço em debate economistas dizerem que fica mais barato comprar lá fora. Agora, sabe, a imbecilidade chega a tal ponto que as pessoas não se lembram que investir aqui a gente vai contratar um trabalhador que vai virar consumidor [...] e assim a gente vai construindo uma nação de homens produtivos."
A uma platéia de cerca de 500 funcionários de estaleiros fluminenses, em evento restrito, e em palanque com 29 pessoas, Lula se definiu como "um dos responsáveis na recuperação da indústria naval do país" que, segundo ele, vive seu melhor momento, com cerca de 40 mil pessoas empregadas em todo o país. "A indústria naval brasileira veio para ficar."
Ao lembrar os primeiros investimentos nessa indústria, lembrou de Juscelino Kubitschek, a quem atribuiu a "primeira tentativa de fortalecimento e de oferecer recursos para a ampliação da indústria naval".
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