Organização internacional suspende bloqueio contra carne brasileira
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
A OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) suspendeu nesta segunda-feira, em Paris, o bloqueio contra a carne brasileira produzida para exportação.
Deverão ser reconhecidos como livres de febre aftosa com vacinação os Estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal.
O desembargo, no entanto, não vale para o Mato Grosso do Sul.
Segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, o bloqueio não foi suspenso no MS por falta de informações adicionais científicas. No entanto, disse ele, o comércio desse Estado deve ser liberado em 60 dias. O MS tem o segundo maior rebanho do país.
As informações foram divulgadas pelo ministro, que acrescentou que o Brasil volta a ser um pais com status de exportador de carne livre de aftosa com vacinação.
O bloqueio à carne brasileira havia sido decidido pela OIE em 2005.
Segundo o ministro, este é o reconhecimento de um trabalho do produtor brasileiro. "O Brasil está investindo muito nesta área de defesa sanitária animal e vegetal, não só na questão da febre aftosa, que acabou sendo emblemática. Neste caso, eliminamos todos os focos, adotamos todas as medidas da OIE e agora o Brasil retorna a posição de país livre da aftosa com vacinação", afirmou.
Stephanes evitou falar sobre os possíveis ganhos financeiros com a medida. "Não tem ganhos financeiros no momento, por uma razão muito simples: a demanda está tão aquecida em nível mundial que, daqui a pouco, não teremos mais boi para exportar. Mas isso nos dá perspectivas a médio e longo prazo, porque a nossa produção de carne está aumentando", disse
O custo da produção da carne no Brasil, segundo o ministro é de um terço do registrado na Europa e o menor do mundo.
Para o ministro, com queda do bloqueio da UE, o Brasil precisará, agora habilitar novas fazendas para exportar para a União Européia.
O anúncio oficial é aguardado para esta terça-feira (27), em Paris, durante a 76ª Sessão Geral plenária da OIE. A informação foi obtida junto a membros da Comissão Científica para Doenças dos Animais da Organização.
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, que está em Paris, trata-se do retorno de reconhecimento vigente até outubro de 2005, anterior aos eventos sanitários que envolveram os Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná.
Leia mais
- Governo assina MP que renegocia R$ 87 bi em dívida agrícola
- Governo confirma lista de 95 fazendas autorizadas a exportar à UE
- Rússia suspende importação de bois de Mato Grosso
- Entenda o que é febre aftosa
Livraria da Folha
- Conheça o papel da carne na alimentação mundial, seus problemas e sua importância
- MBA compacto mostra como importar e exportar de forma segura
Especial


