Juro do cheque especial sobe em abril, mas crédito bate recorde
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Atualizada às 12h33
As taxas cobradas pelos bancos no cheque especial e no empréstimo pessoal subiram em abril, segundo a pesquisa mensal de juros do Banco Central divulgada nesta terça-feira.
No cheque especial, a taxa passou de 149,8% para 152,7% ao ano entre março e abril -- o maior patamar desde agosto de 2003, quando estava em 163,9% a.a. No empréstimo pessoal, subiu de 50,5% para 50,6% ao ano.
"A taxa do cheque especial tem crescido e a expectativa é que, em maio, cresça ainda mais", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "É uma taxa proibitiva, que deve ser evitada o máximo possível."
A maior taxa registrada até hoje para esse tipo de modalidade foi verificada em julho de 1994, a 294% ao ano.
O crédito para aquisição de veículos, no entanto, ajudou a segurar os juros cobrados para pessoas físicas no mês passado. Esse segmento é influenciado, principalmente, pelas operações de leasing, que mais que dobraram nos últimos 12 meses. As taxas para compra de carros tiveram recuo de 30,1% para 29,8% ao ano.
Com isso, a taxa média para o consumidor passou de 47,8% ao ano em março para 47,7% em abril e voltou aos níveis de junho de 2007. No final do ano passado, a taxa chegou a cair para 33,8% ao ano, mas voltou a subir em 2008, atingindo o pico no mês de fevereiro (49%).
A alta dos juros no começo do ano acompanhou a interrupção da queda da taxa básica de juros promovida pelo BC. Também foi influenciada pelas novas regras do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) instituídas neste ano para compensar o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Crédito
Apesar dos juros maiores em algumas modalidades, o volume de crédito bateu novo recorde no mês passado.
O volume de financiamentos subiu 2,5%, para o valor recorde de R$ 1,02 trilhão, e acumula alta de 30,9% em 12 meses. Esse valor corresponde a 36,1% do PIB (Produto Interno Bruto), ante 31,6% em abril de 2007.
A expectativa do BC é que o percentual termine o ano em 40% do PIB, acima do nível recorde de janeiro de 1995, quando estava em 36,8%.
Considerando-se apenas os recursos livres, foram R$ 725,5 bilhões, um aumento de 2,8% no mês e 35% em 12 meses.
A inadimplência se manteve praticamente estável e passou de 4,1% em março para 4,2% em abril.
Empresas
Os juros das empresas apresentaram recuo no mês de abril, de 26,5% ao ano para 26,3%. Com isso, a taxa geral (pessoa física e jurídica) passou de 37,6% para 37,4% ao ano.
Houve redução também do spread bancário --diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes. O spread geral caiu 0,4 ponto percentual em abril (para 25 pontos percentuais), mas subiu 2,7 pontos no quadrimestre.
Desconto em folha
As operações com crédito consignado --desconto em folha de pagamento-- cresceram 2,4% no mês e 29% em 12 meses. Foram R$ 70,3 bilhões, mais da metade (56%) de toda a carteira de crédito pessoal. Os juros do consignado subiram de 26,9% ao ano para 27,4% ao ano em abril.
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