Dinheiro
27/05/2008 - 11h40

BM&F Bovespa quer ser a maior Bolsa do mundo, diz Cintra Neto

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YGOR SALLES
da Folha Online

A BM&F Bovespa --empresa criada a partir da fusão entre a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo)-- pretende ser a maior Bolsa do mundo, disse nesta terça-feira o ex-presidente da BM&F e atual membro do grupo de transição da nova empresa, Manoel Felix Cintra Neto.

Atualmente a soma do valor de mercado da BM&F e da Bovespa resultaria na terceira maior Bolsa mundial em valor de mercado, a US$ 23,34 bilhões (nos preços de 2 de maio), atrás apenas da alemã Deutsche Börse (US$ 31,41 bilhões) e da americana CME (Chicago Mercantile Exchange), com valor de US$ 25,98 bilhões.

"Essa Bolsa tem tudo para ser a maior do mundo", disse Cintra Neto em seminário organizado pelo Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), em São Paulo.

Para conseguir esse objetivo, o executivo listou como um dos principais desafios o processo de consolidação das Bolsas latino-americanas. "Não é fácil pela aceitação nos países irmãos, mas temos experiência neste sentido", disse ele, se referindo ao fato das próprias BM&F e Bovespa terem feito um processo semelhante dentro do país, em especial no final dos anos 1990.

Porém, essa consolidação não significa que a BM&F Bovespa partirá para aquisições de Bolsas de outros países da região. "Pretendemos fazer um trabalho, digamos, pró-ativo na região. Daremos prioridade para fazer acordos operacionais com as Bolsas desses países", disse Gilberto Mifano, presidente do Conselho de Administração da empresa. "Não é porque temos dinheiro em caixa que vamos sair comprando por aí. Nossa política não é de aquisição. Mas claro que boas oportunidades estarão no nosso radar."

Outros desafios listados pela direção da Bolsa brasileira estão no maior desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro, a integração das plataformas de negociação das duas Bolsas e a pretensão de ser líder no setor de papéis relacionados a créditos de carbono. "Temos a responsabilidade de fazer do Brasil o grande centro de liquidez desses certificados de carbono", disse o executivo.

Para obter novos clientes e ganhar escala, as miras da BM&F Bovespa se viram tanto ao público local (ainda em desenvolvimento) e aos estrangeiros em busca de novas oportunidades de investimento após a crise gerada pelos créditos imobiliários de alto risco ("subprime") que atingiu principalmente os Estados Unidos e a Europa.

"Não somos a terceira [maior Bolsa do mundo] a troco de nada. Temos um potencial enorme aqui dentro. A diferença entre nós e a Bolsa de Londres (...) ou a Nasdaq é que ainda temos potencial de crescimento, enquanto que eles dependem essencialmente de aquisições", disse Mifano.

Esse potencial, disse ele, deve ser reforçado ainda mais quando o Brasil receber o seu segundo grau de investimento (chancela de bom pagador dado pelas agências de classificação de risco). O primeiro foi dado no final de abril pela Standard & Poor's, e o mercado espera que a Fitch Ratings tome a mesma atitude em breve.

Nova estrutura

Mifano disse esperar que o registro de companhia aberta da BM&F Bovespa seja aprovado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) entre 60 e 90 dias. Assim que isso ocorrer, as ações da BM&F e da Bovespa Holding serão convertidas em papéis da nova empresa, que serão negociadas com o código BVMF3.

"Já obtivemos luz verde de todos [os órgãos reguladores], mas precisa colocar essa luz verde no papel", disse Mifano, admitindo que ainda há alguma dificuldade em convencer o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de que o negócio não impede a concorrência. O argumento usado pela nova Bolsa neste sentido é a mesma de outros setores em consolidação no país: a de que trata-se de um setor com competição global, e não local.

O Conselho Administrativo da BM&F Bovespa tem atualmente 18 membros, o que deve ser reduzido para 11 até o final do ano.

 

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