Para analista do FMI, petróleo pode levar à recessão mundial
da Efe, em Washington
A escalada do preço do petróleo pode levar os países a uma recessão, disse Noureddine Krichene, analista do FMI (Fundo Monetário Internacional), que pediu para que não sejam subestimados os efeitos inflacionários da energia na definição da política monetária.
Krichene afirmou que os altos preços do petróleo "não estão muito longe" de provocar uma recessão econômica mundial, em um estudo divulgado nesta terça-feira pela instituição financeira em seu site e intitulado: "Crude Oil Prices: Trends and Forecast" ("Preços do Petróleo: Tendências e Previsão").
A instituição financeira considera um crescimento mundial de 3% como "equivalente" a uma recessão, pois essa taxa implicaria em uma contração em países avançados importantes e em uma grande desaceleração em nações como China e Índia.
O FMI prevê atualmente uma taxa de 3,7% de crescimento mundial para 2008 e 3,8% para 2009, mas havia avaliado em 25%, em abril, "a probabilidade de uma desaceleração do crescimento mundial a 3% ou menos em 2008 e 2009".
Krichene acredita que, a curto prazo, o petróleo não baixará. Ele atribui o salto do valor do barril desde 2003 ao efeito "retardado" de taxas de juros "excessivamente" baixas entre 2001 e 2004, que instigaram um alto crescimento econômico mundial e uma maior demanda por energia e outras matérias-primas.
As novas reduções dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), perante a fraqueza da economia, "imediatamente causaram outra espiral de altas dos preços das matérias-primas e de depreciação da moeda", afirmou.
Essas altas cimentaram as expectativas do mercado de que haverá "uma escalada de preços" do petróleo.
Na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), nesta terça-feira, o barril do petróleo cru para entrega em julho terminou cotado a US$ 128,85, uma queda de 2,53% (US$ 3,34 menos) em relação a sexta-feira.
Em comparação, entre janeiro de 2000 e abril de 2003, seu valor médio foi de US$ 27, segundo cálculos de Krichene.
"A persistência das tendências atuais culminaria em preços explosivos das matérias-primas e poderia ser insustentável", alertou o analista, em vista de que a alta do petróleo chega em um momento de "fraqueza nos mercados financeiros", perdas nos bancos e um dólar que se desvaloriza.
O analista, que trabalha para o departamento da África do FMI e foi assessor do Banco de Desenvolvimento Islâmico em Jeddah, na Arábia Saudita, alertou para os efeitos negativos da pressão inflacionária que a energia exerce sobre o nível de preços.
Neste contexto, os bancos centrais podem restringir a política monetária e causar uma recessão temporária ou se arriscar a ter uma maior inflação, que também daria lugar eventualmente a uma recessão, de acordo com Krichene, junto com desordem financeira e descontentamento social.
"A alta inflação pode desalentar a provisão de bens em geral, dado que o valor do dinheiro cai precipitadamente", disse.
O FMI publica estudos de seus analistas com regularidade, mas lembra que não representam as opiniões da instituição.
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