Meirelles diz que inflação deve "orbitar" o centro da meta
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje, durante audiência pública na Câmara do Deputados, que a instituição irá trabalhar para que a inflação fique próxima ao centro da meta traçada pelo governo para 2008.
Meirelles afirmou que a inflação, todos os anos, fica um pouco acima ou abaixo do centro da meta. Para ele, se o número exato fosse atingido algum dia, isso seria uma "coincidência estatística".
"O importante é que o BC tome providências para que a inflação orbite em torno do centro da meta", disse.
A meta para o IPCA neste ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. Em 2007, por exemplo, o IPCA ficou em 4,46%. Em 2006, em 3,1%.
Alimentos
Meirelles também apresentou números do IPCA-15, prévia do indicador utilizado como meta de inflação, para mostrar que, excluindo o preço dos alimentos, a inflação estaria próxima de 4,5%.
"Os preços agrícolas estão subindo a uma taxa superior aos preços ao consumidor", disse o presidente do BC. "Se olharmos o núcleo por exclusão, em 12 meses, [o IPCA-15] está em 4,84%."
Meirelles disse também que "a expectativa de inflação para 2008 tem súbito consideravelmente" e lembrou que a previsão do mercado financeiro apontada na pesquisa semanal do BC está em 5,24%.
"Em 2008, a expectativa do mercado é um pouco acima do centro da meta", afirmou.
Por fim, ele disse que o BC está tomando providências para que a inflação atinja esse resultado.
Em abril, o BC elevou os juros de 11,25% ao ano para 11,75% ao ano. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 3 e 4 de junho. A expectativa do mercado é de uma alta para 12,25% ao ano.
Proteção do trabalhador
Meirelles apresentou vários dados sobre o aumento da renda, do emprego e do poder de compra da população no governo atual. Disse também que a condução da política monetária vem ajudando a consolidar esses resultados.
"Isso mostra aumento no poder de consumo da população. De novo, acerto e sucesso da política macroeconômica brasileira."
Afirmou também que os mais pobres são sempre os mais prejudicados pelo aumento da inflação, principalmente em um momento de alta dos alimentos. "Quando sobe a inflação, os assalariados de menor renda têm menos capacidade de se proteger."
Contas públicas
Meirelles negou que os juros sejam os grandes responsáveis pelo aumento da dívida pública. Segundo ele, a política monetária do BC pode ajudar nas contas do governo, mesmo quando os juros sobem.
"O impacto da taxa de juros de curto prazo nas contas públicas é apenas parte do efeito", disse. "A política monetária tem impactos fiscais indiretos."
Segundo o presidente do BC, a queda nas expectativas de inflação ajuda a reduzir os custos dos títulos do Tesouro prefixados ou indexados a índices de preços. Há também impactos positivos do câmbio e do crescimento da economia no longo prazo.
"Não podemos achar que a mera variação da Selic vá trazer um aumento ou diminuição do custo de captação do Tesouro Nacional", afirmou.
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