BC eleva juros para impedir que inflação chegue ao varejo, diz Meirelles
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O aumento da taxa básica de juros para evitar uma alta da inflação mostra que o Banco Central não irá "correr atrás do prejuízo", segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles.
Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Meirelles afirmou que a instituição está agindo para evitar que a alta da inflação do atacado contamine os preços no varejo. Afirmou também que o aumento recente da taxa básica de juros mostra que o BC não está atrasado nas suas ações.
"Esse cenário não surpreende o Banco Central do Brasil. Nós não vamos estar atrasados ou, como se diz na linguagem popular, correr atrás do prejuízo", afirmou Meirelles.
Em abril, o BC elevou os juros de 11,25% ao ano para 11,75% ao ano. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 3 e 4 de junho. A expectativa do mercado é de uma alta para 12,25% ao ano.
Crise americana
Meirelles disse também que a independência dos bancos centrais internacionais tem sido importante para que a inflação mundial não leve a economia mundial a um cenário de estagflação (estagnação com inflação alta), como aconteceu na década de 1970.
"O risco hoje é um cenário como da década de 70, em que nós tivemos um choque de petróleo, uma política monetária frouxa da maioria dos bancos centrais mundiais e depois custou muito caro para trazer a inflação para patamares aceitáveis", afirmou.
"Mas existe uma diferença hoje em reação aos anos 70, porque os bancos centrais têm compromisso com o combate inflação. E a maioria dos bancos centrais é hoje independente e isso é uma diferença fundamental", disse o presidente do BC brasileiro, que não é legalmente independente.
Para ele, não há sinais de que a crise americana caminha para o final, apesar da melhora no sistema financeiro mundial.
O presidente do BC disse que ainda existe possibilidade de recessão nos EUA. Afirmou, no entanto, acreditar que a maioria das perdas dos bancos com o mercado imobiliário já foram contabilizadas, cerca de US$ 400 bilhões.
"A raiz da crise americana ainda deve se desenrolar por um bom tempo. A crise de crédito, no entanto, já dá sinais de estabilização", afirmou. "Poderemos ter um cenário da economia americana de baixo crescimento. Na pior das hipóteses, não se elimina a possibilidade de um número negativo."
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