IBP teme prejuízos na produção de petróleo com suspensão de leilões
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, em Rio
O IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) teme que o país enfrente dificuldades futuras na produção de petróleo, caso não retome os leilões de áreas com potencial para a exploração de petróleo e gás natural.
Para o presidente do órgão, João Carlos de Luca, a demora na definição de um novo marco para o setor gera prejuízos para o próprio governo, que deixa de arrecadar com os bônus de assinatura (valores ofertados pelos blocos) das rodadas da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
"A retomada das licitações é fundamental para que as empresas continuem trabalhando e mantenham o pleno desenvolvimento da indústria", disse De Luca, após participar de almoço-palestra promovido pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria, no Rio de Janeiro.
O executivo, que também preside a Repsol no Brasil, defende, pelo menos, a retomada da 8ª rodada de licitações, suspensa em 2006, ainda este ano. Caso os leilões continuem suspensos, os impactos serão sentidos, na avaliação do IBP, dentro de dez anos.
"De três a cinco anos não vai gerar prejuízo, mas no longo prazo isso seria sentido", advertiu De Luca.
Ele voltou a defender a manutenção do modelo de concessão utilizado no setor atualmente e acrescentou que a mudança para o de partilha de produção seria burocrática e poderia atrasar os trabalhos exploratórios no país.
O governo vem estudando a adoção de um novo marco regulatório para o setor, depois que a Petrobras anunciou a descoberta do campo de Tupi, na bacia de Santos. A área tem, segundo estudos, de 5 bilhões a 8 bilhões de boe (barris de óleo equivalente).
Tupi fica situado na região conhecida como pré-sal, a mais de 5 mil metros de profundidade. A expectativa é que existam outros reservatórios gigantes de petróleo e gás em outros locais, com características semelhantes a Tupi. Em função dos estudos para avaliar novas condições de concessão de blocos, os leilões promovidos pela ANP estão suspensos, até que alguma decisão seja tomada.
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