Lula vai defender fim de subsídios para conter crise dos alimentos
da Agência Brasil
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá defender que os países ricos abram mão dos subsídios que pagam à seus produtores agrícolas, a fim de motivar os países pobres a produzir mais alimentos, na reunião de chefes de Estado e de governo organizada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) que começa amanhã (3) em Roma (Itália).
O presidente disse hoje, no programa de rádio "Café com o Presidente", que o problema da fome "volta e volta com força no mundo, e o mundo começa a discutir". "É importante, então, que a gente comece a estabelecer uma estratégia de melhorar a produção de alimentos, aumentar a produção de alimentos, e, sobretudo, você tirar os subsídios na agricultura dos países mais ricos que tornam praticamente impossível do mundo pobre vender comida à Europa."
"Uma das atitudes seria concluir o acordo da OMC [Organização Mundial do Comércio] na Rodada de Doha, que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas que dão aos seus agricultores, que os Estados Unidos diminuam os subsídios. E aí sim os países pobres vão se sentir motivados a produzir mais alimentos para comer e para vender", disse o presidente.
O presidente Lula disse também que a alta dos preços do petróleo têm de ser discutida, "porque o preço do petróleo pode implicar no aumento do custo do produto a partir do custo do transporte e a partir do custo da matéria prima que faz o fertilizante".
Para Lula, se houver incentivo para a produção nos países pobres "estaremos criando as condições para que o alimento volte a se tornar acessível, sobretudo à parte mais pobre da população que precisa comer três vezes ao dia pelo menos. Tomar café, almoçar e jantar".
O presidente Lula deve se encontrar hoje na Itália com a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e com o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon.
O diretor da FAO, Jacques Diouf, considera que os países ricos devem aumentar de modo significativo sua ajuda para a luta contra o aumento dos preços dos produtos alimentícios. A ajuda deve chegar a US$ 30 bilhões por ano para os países em desenvolvimento, declarou Diouf em entrevista publicada hoje pelo diário britânico "Financial Times".
"A única maneira de sair da crise é aumentar a produção, em particular nos países pobres. Essa crise envolve todos os países do mundo", ressaltou.
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