Dinheiro
02/06/2008 - 12h11

Preço do leite sobe pelo 4º mês seguido no produtor e volta à cena da inflação

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da Folha Online

O leite volta à cena e ao centro das atenções entre os produtos que ajudam a pressionar a inflação, depois de os preços terem disparado ao longo de 2007 e acenado com relativo alívio no início deste ano. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em maio, o preço médio pago ao produtor subiu pelo quarto mês consecutivo.

O reajuste no mês passado foi de 2,7%, com o litro do leite a R$ 0,7561 (sem descontar frete e 2,3% de CESSR, contribuição à seguridade social), na média de sete Estados da pesquisa.

De janeiro a maio, a alta acumulada é de 13,4%, menor, no entanto, que os 17,15% do mesmo período do ano passado. Ainda assim, a média bruta deste ano é R$ 0,7155 por litro, enquanto a do mesmo período de 2007, em termos reais (deflacionada pelo IGP-DI), foi de R$ 0,5575 por litro.

Segundo o Cepea, o pagamento de junho, que tradicionalmente é feito com reajuste sobre o de maio, deve ter alta menor já no próximo mês. "Trata-se da combinação do patamar elevado de preços ao produtor com o fato de que os derivados no mercado atacadista não têm acompanhado as altas ao produtor e de que a oferta atual de leite é cerca de 27% maior que a do mesmo período do ano passado", informou a instituição.

Conforme pesquisa mensal do Cepea, 56% dos agentes consultados (produtores e representantes de laticínios e cooperativas) acreditam em estabilidade dos preços para o pagamento a ser feito em junho em relação a maio. Outros 20% apostam em queda e 24%, em alta.

"Estes 24%, porém, representam somente 9% do volume de leite (considerando 100% o volume de todos os entrevistados), enquanto que a estabilidade é apontada por agentes que representam 76% do volume e os que apostam em quedas, 15%", pondera o estudo.

Quanto ao volume de leite captado pelas empresas, houve redução pelo segundo mês consecutivo. Segundo o Índice de Captação de Leite (ICAP-L/Cepea), de março para abril deste ano, a queda foi de 2%, depois de ter recuado 4% em abril do ano passado. "Apesar da redução, o volume de leite captado em abril deste ano ainda é 26,7% maior que o do mesmo período do ano passado."

Sobe-e-desce

Com problemas na produção no ano passado, o preço do leite longa vida chegou a registrar alta de 15,65% somente no mês de junho de 2007 em relação a maio (a maior alta desde julho de 2000), segundo apuração da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Com o caso de adulteração do produto e a queda do consumo, o preço do longa vida ainda cedeu e acumulou alta de 9,32% dos preços no acumulado dos 12 meses do ano passado, encerrados em dezembro (em setembro, por exemplo, o acumulado em 12 meses era de 39,22%).

Em abril deste ano, no entanto, o leite longa vida fechou o mês com alta de 3,48% segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), com perspectiva de manter a aceleração, ao lado de arroz e carnes no grupo dos alimentos, segundo o coordenador da pesquisa, Márcio Nakane. Em 12 meses encerrados em abril, o produto acumula variação de 13,47%.

Segundo o IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) de maio, divulgado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), no atacado, os produtos alimentícios industrializados subiram 2,45%, ante 0,44% em abril. Segundo o economista Salomão Quadros, o leite 'in natura' teve alta de 5,53% e é possível "esperar a transmissão desses impactos para o varejo".

 

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