Dinheiro
03/06/2008 - 14h01

Presidente da Vale admite construir siderúrgica no Pará sem parceiros

Publicidade

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Atualizada às 14h31

O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, admitiu nesta terça-feira que a mineradora poderá construir a nova siderúrgica do Pará sem parceiros.

O executivo disse que o projeto básico da futura unidade ainda precisa ser terminado para que a Vale busque um sócio para o projeto. Mas ele ressaltou que a Vale pretende tocar o projeto, "com ou sem parceiros".

"O projeto vai em frente sem parceiros. Não significa que a gente não vá buscar parceiros. Não precisamos de um parceiro, neste momento, para desenvolver o projeto. O que a gente precisa agora é ter um projeto que pare de pé, que tenha viabilidade econômica, que equacione questões de logística, com o porto e a eclusa. Na hora que isso tiver de pé, nós vamos parar e ver qual é o melhor parceiro desse projeto", afirmou, depois de participar do 1º Encontro Nacional da Siderurgia, no Rio.

Agnelli acrescentou que é preciso que se crie infra-estrutura necessária para que o projeto possa sair do papel. A Vale tem atraído parceiros para projetos de siderurgia no país, como a CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), no Rio, atuando sempre de forma minoritária.

Ele ressaltou que a empresa não quer focar em siderurgia, e que só está participando desses projetos porque acredita que o país tem potencial para desenvolver a siderurgia.

Melhor lugar do mundo

"O melhor lugar do mundo, hoje, para se produzir aço, é no Brasil. O minério de ferro mais barato está aqui, as questões de logística estão sendo equacionadas e a siderurgia brasileira é a que mais margem tem no mundo", comentou.

Ao mesmo tempo em que cogita investir sozinha na siderurgia, Agnelli voltou a criticar a busca de empresas siderúrgicas por ativos na área de mineração. A siderurgia tem no minério de ferro a principal matéria-prima para a produção de aço.

"Acredito que estão alocando capital de maneira errada e de maneira ineficiente. O que vale hoje no mundo é escala, e aquelas empresas que tem escala já montada, tem que crescer escala para poder competir no mundo inteiro. Se as siderúrgicas brasileiras não pensarem em se posicionarem estrategicamente até no jogo da consolidação da indústria siderúrgica mundial, acho que vão perder espaço", observou.

Agnelli disse ainda que vislumbra instabilidade nos preços de matérias-primas por um período mais longo. Para ele, enquanto oferta e demanda não se equilibrarem, os preços vão continuar subindo.

O executivo comentou ainda que, se o minério de ferro fosse negociado como uma commodity no mercado internacional, a matéria-prima teria subido muito mais.

"Acho que todo mundo achava que esse ciclo estaria praticamente no final. Acredito que não, esse ciclo vai continuar. E os novos projetos sairão muito mais caros, que de alguma forma, vai estar no preço refletido no futuro", avaliou.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca