OCDE descarta estagflação nos EUA e na zona do euro
da France Presse, em Paris
As economias dos Estados Unidos e da zona do euro registrarão forte desaceleração em 2008 e 2009, mas não estão ameaçadas por uma situação de estagflação (estagnação com inflação alta), afirmou o economista chefe da OCDE, Jorgen Elmeskov.
"Estamos atravessando um período de ajuste temporário. O crescimento é bastante frágil, mas uma vez que superemos isto vai se recuperar e a inflação retornará a níveis relativamente normais", disse o economista chefe da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos).
"Temos agora um período de ajuste temporário, depois de um choque inflacionário que nos atingiu por causa dos altos preços das matérias-primas, mas isto não se prolongará", afirmou.
China e Índia
China e Índia manterão elevados ritmos de crescimento em 2008, mas com uma desaceleração pela exposição das duas economias à forte inflação vinculada ao aumento dos preços do petróleo e dos alimentos, prevê a OCDE.
"Nos mercados emergentes, o crescimento passa a ser moderado, mas permanece vigoroso, sobretudo na China", informou a organização. O PIB chinês aumentará 10% em 2008, um pouco menos que em 2007, quando a alta foi de 11,9%, por causa do retrocesso das exportações provocado pela atual desaceleração mundial. Na Índia, terceira maior economia asiática, o crescimento retrocederá a 7,8%, depois de registrar 8,7% em 2007, coincidindo com taxas de juros situadas no nível máximo em seis anos, que frearam a demanda e os investimentos.
"A economia chinesa deve registrar um índice de crescimento de dois dígitos --apesar de uma contração da política monetária-- e se centrar cada vez mais na demanda interna", diz o documento. "A economia indiana continuará crescendo provavelmente a um ritmo sustentável, mas de forma menos rápida por causa da moderação da demanda externa."
Brasil
Para o Brasil, a OCDE prevê um crescimento de 4,8% neste ano e de 4,5% em 2009. Na previsão anterior, a organização projetava um crescimento de 4,5% neste ano e no próximo.
A OCDE destaca que os mercados financeiros do Brasil agüentam muito bem as turbulências financeiras globais --entretanto, uma deterioração do entorno financeiro global é justamente a maior fonte de risco para as boas perspectivas econômicas do Brasil, afirma o relatório.
Apesar de a resistência do Brasil a choques externos ter ganhado força, uma desaceleração global mais grave que o previsto afetaria o crescimento de suas exportações, enquanto uma diminuição do 'apetite' pelos ativos dos mercados emergentes prejudicaria as condições creditícias internas.
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