Aluguel em SP tem maior alta em dez anos em maio, aponta Fipe
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Atualizada às 16h50
Os aluguéis em São Paulo tiveram a maior alta de preços em quase 10 anos em maio, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP), divulgado nesta quarta-feira. Segundo Márcio Nakane, coordenador da pesquisa, o mercado imobiliário aquecido e o repasse dos IGPs (o IGP-M é usado como referência de reajuste dos contratos) são os principais fatores de pressão.
"Há dez anos não se registrava uma taxa assim para o aluguel. Esse ano, está em patamar mais alto que nos anos anteriores. O índice costuma rondar entre 0,25% e 0,30%, e, neste ano, está em 0,40%. O mercado imobiliário está meio que bombando e talvez esteja se começando a registrar os IGPs altos do ano passado, por isso o aluguel mais forte neste ano", explicou Nakane.
Em maio, a alta do preço do aluguel foi de 0,57%, a maior elevação desde a terceira apuração de setembro de 1997 (em um mês, a Fipe faz quatro apurações, sendo que o índice de fechamento do mês é uma média das quatro prévias). O grupo Habitação registrou variação positiva de 0,74%, sob a influência, além dos aluguéis, da alta dos preços de energia elétrica e dos reparos no domicílio.
A energia elétrica registrou inflação de 2,43% e foi o segundo item de maior contribuição no IPC geral do mês, que fechou em 1,23%, a maior taxa desde fevereiro de 2003. O reajuste da energia elétrica ocorreu, segundo Nakane, devido ao repasse do PIS, Cofins e Pasep ao consumidor. "Para junho, o repasse deverá ser abaixo e a variação deverá ser negativo. Previmos queda de 0,6% para energia elétrica", disse o economista.
Já reparos no domicílio, foi o terceiro item de maior contribuição para o IPC geral, com alta de 3,31%. Segundo Nakane, a variação dos preços ocorreu devido à mudança da cobrança do ICMS, que passou da origem para o destino do produto.
Arroz
Com reajuste de 3,17% dos preços em maio, os alimentos tiveram a maior contribuição (58,14%) na composição do IPC geral. A variação foi a maior desde dezembro de 2002 (quando foi de 3,36%) e a décima consecutiva (considerando as quatro apurações feitas pela Fipe em um mês). Em alta no mercado internacional, o arroz teve as maiores variação (22,16%, a mais alta em 13 anos) e contribuição (14,83%) para o IPC em maio.
Já o pão francês, quarto maior responsável pela alta do índice geral, registrou inflação de 4,15%, mas dá sinais de desaceleração, segundo Márcio Nakane, coordenador da pesquisa da Fipe. Na última apuração de maio, o produto registrou alta de preços de 1,68%, ante 5,59% na prévia anterior.
"Nessa área, o governo tomou medidas, com insenções tributárias para tentar baratear a importação do trigo. É possível, mais a frente, um cenário mais tranqüilo para os derivados de trigo", disse Nakane.
Previsão
Para este mês, a Fipe projeta uma variação já menor para o grupo Habitação, de 0,39%. A maior taxa ficará, mais uma vez, com Alimentação (3% ante 3,17% em maio), seguido por despesas pessoais (0,55% em junho contra 0,79% em maio).
Em Saúde, a estimativa é de 0,35% para junho ante 0,59% em maio, em Transporte, de 0,24% contra 0,31% em maio, e em Vestuário, de 0,15% ante 1,55%. Educação deve repetir o mesmo índice de 0,04%. Para o índice geral do IPC em junho, a projeção é de alta de 0,94%.
Leia mais
- Fipe corrige estimativa e espera inflação de 5,93% no ano em SP
- Inflação em SP fecha maio com alta de 1,23%, maior desde 2003, diz Fipe
- Preço do leite sobe pelo 4º mês seguido no produtor e volta à cena da inflação
- Preços dos alimentos na UE atingem maior nível em 12 anos
- Vendas nos supermercados acumulam alta de 7,63% no ano
- Restaurantes reajustam preços após alta de alimentos
- Alimentos pesam e índice oficial de inflação acelera para 0,55% em abril, diz IBGE
Livraria da Folha
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
- Livro ensina famílias a organizar o orçamento da casa
- Cosmopolita, vibrante e caótica, São Paulo oprime, impressiona e fascina
Especial

