Dinheiro
04/06/2008 - 20h26

Alta dos juros anula efeitos de políticas de estímulo à produção, diz CNI

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da Folha Online

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 11,75% para 12,25% não foi uma surpresa, uma vez que deu continuidade à política monetária contracionista adotada pelo Banco Central, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), informou a entidade em nota.

"A alta excessiva dos juros anula os efeitos positivos de políticas de estímulo à produção, pois encarecem o financiamento para investir na produção, e a conseqüente valorização do real reduz a competitividade dos produtos nacionais. Ambos conduzem ao menor crescimento".

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

Para a entidade, sem uma maior contribuição da política fiscal, o ciclo virtuoso de crescimento pode vir a ser comprometido e que a elevação dos juros não combate a inflação, como deseja o BC.

"As pressões existentes sobre a inflação, que se originam preponderantemente dos preços internacionais dos alimentos e das commodities, estão obviamente a salvo do alcance da política monetária doméstica, o que exige outros instrumentos de política para o controle da inflação", aponta.

Como ferramenta para conter a alta dos preços, a entidade propõe "maior coordenação da política econômica, com a adequação da política fiscal às necessidades da estabilidade".

A CNI considera a elevação do superávit primário um avanço, que melhora a qualidade da política macroeconômica, mas avalia que, "para ser mais efetiva no combate à inflação, a proposta deve concentrar-se na contenção do gasto público, que cresce excessivamente".

"A oficialização do aumento na meta de superávit primário seria uma clara indicação da perenidade do esforço", afirma.

Para a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), a decisão do Copom também ficou dentro do esperado, diante do "processo de deterioração das expectativas de inflação para os próximos meses e, principalmente, para 2009".

A entidade fluminense também aponta os gastos públicos como um dos fatores a ser atacado, enquanto o governo tenta conter a inflação. "Os gastos primários do governo prosseguem crescendo junto com a arrecadação. O Sistema Firjan insiste na necessidade de reduzir o ritmo de expansão dos gastos públicos, concedendo um papel mais relevante à política fiscal no controle da inflação".

Em nota, o presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infra-esturtura e Indústrias de Base), Paulo Godoy, afirmou que o combate à inflação é uma responsabilidade da autoridade monetária e um desejo da sociedade. "No entanto, o poder público, como um todo, incluindo todos os poderes e os três níveis federativos, precisa assumir a responsabilidade de trabalhar para diminuir a pressão sobre os preços", afirmou.

"Há outros instrumentos, não somente de política monetária, que podem atenuar a pressão sobre a demanda e sobre os preços, como a melhoria do gasto público e a elevação do superávit primário, a economia que o governo faz para pagar juros da dívida", advertiu.

 

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